Carta da Terra no Brasil

Carta da Terra no Brasil
www.cartadaterra.com.br

segunda-feira, 21 de julho de 2008

VIVIM PLEGATS - Guiem Ramis de Maiorca

Repasso e-mail do amigo GUIEM, que trata do nosso projeto "irmão" Vivim Plegats.
Esse projeto foi a nossa inspiração para o Vivemos Juntos realizado no Fórum Mundial de Educação e Fórum Social Mundial de 2003. As fotos e a memória desse feliz encontro estão no site www.forumzinho.org.br

"Recordada Valéria,
Me alegra reencontrar el distintivo conjunto VIVEMOS JUNTOS - VIVIM PLEGATS.
El programa practicamente esta parado en las Islas Baleares, pero sigue vivo y practicandose en muchos lugares de España y Portugal, como tambien veo que tu insistes en el desde Brasil.

Gracias por tu interés.

Si te parece, sugiero que pongas un enlace ("link") con
http://www.dretshumansdemallorca.net/vivimplegats/default.htm

donde se explica VIVIM PLEGATS.
Sigo con interés tus comunicaciones de nuestro amigo comun Leonardo +

Saludos
GUIEM RAMIS

domingo, 20 de julho de 2008

É possível ser feliz num mundo infeliz?

LEONARDO BOFF

Não podemos calar a pergunta: como ser feliz num mundo infeliz? Mais da metade da população mundial é sofredora, vivendo abaixo do nível da pobreza. Há terremotos, tsunamis, furacões, inundações e secas.

No Brasil apenas 5 mil famílias detém 46% da riqueza nacional. No mundo 1125 bilionários individuais possuem riqueza igual ou superior à riqueza do conjunto de paises onde vive 59% da humanidade. O aquecimento global evocou o fantasma de graves ameaças à estabilidade do planeta e ao futuro da humanidade. Diante deste quadro, é possível ser feliz? Só podemos ser felizes junto com outros.

Importa reconhecer que estas contradições não invalidam a busca da felicidade. Ela é permanente embora pouco encontrada. Isso nos obriga a fazer um discurso critico e não ingênuo sobre as chances de felicidade possível.

Na reflexão anterior sobre o mesmo tema, enfatizamos o fato de que a felicidade sustentável é somente aquela que nasce do caráter relacional do ser humano. Em seguida, é aquela que aprende a buscar a justa medida nas contradições da condição humana. Feliz é quem consegue acolher a vida assim como ela é, escrevendo certo por linhas tortas. Aprofundando a questão, cabe agora refletir sobre o que significa ser feliz e estar feliz. Foi Pedro Demo, a meu ver, uma das cabeças mais bem arrumadas da inteligência brasileira, que entre nós melhor estudou a “Dialética da Felicidade”(3 tomos, 2001). Ele distingue dois tempos da felicidade e nisso o acompanhamos: o tempo vertical e o tempo horizontal. O vertical é o momento intenso, extático e profundamente realizador: o primeiro encontro amoroso, ter passado num concurso difícil, o nascimento do primeiro filho. A pessoa está feliz. É um momento que incide, muito realizador, mas passageiro.

E há o momento horizontal: é o que se estende no dia a a dia, como a rotina com suas limitações. Manejar sabiamente os limites, saber negociar com as contradições, tirar o melhor de cada situação: isso faz a pessoa ser feliz.

Talvez o casamento nos sirva de ilustração. Tudo começa com o enamoramento, a paixão e a idealização do amor eterno, o que leva a querer viver junto. É a experiência de estar feliz. Mas, com o passar do tempo, o amor intenso dá lugar à rotina e à reprodução de um mesmo tipo de relações com seu desgaste natural. Diante desta situação, normal numa relação a dois, deve-se aprender a dialogar, a tolerar, a renunciar e a cultivar a ternura sem a qual o amor se extenua até virar indiferença. É aqui que a pessoa pode ser feliz ou infeliz.

Para ser feliz na extensão temporal, precisa de invenção e de sabedoria prática. Invenção é a capacidade de romper a rotina: visitar um amigo, ir ao teatro, inventar um programa. Sabedoria prática é saber desproblematizar as questões, acolher os limites com leveza, saber rimar dor com amor. Se não fizer isso, vai ser infeliz pela vida afora.

Estar feliz é um momento. Ser feliz é a um estado prolongado. Este se prolonga porque sempre é recriado e alimentado. Alguém pode estar feliz sendo infeliz. Quer dizer, tem um momento intenso de felicidade (momento) como o reencontro com um irmão que escapou da morte. Como pode ser feliz (estado) sem estar feliz (momento), quer dizer, sem que algo lhe aconteça de arrebatador.

A felicidade participa de nossa incompletude. Nunca é plena e completa. Faço minha a brilhante metáfora de Pedro Demo:”a felicidade participa da lógica da flor: não há como separar sua beleza, de sua fragilidade e de seu fenecimento”.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Qual é a felicidade possível

Leonardo Boff

A felicidade é um dos bens mais ansiados pelo ser humano. Mas não pode ser comprada nem no mercado, nem bolsa, nem nos bancos. Apesar disso, ao redor dela se criou toda uma indústria que vem sob o nome de auto-ajuda. Com cacos de ciência e de psicologia se procura oferecer uma fórmula infalível para alcançar “a vida que você sempre sonhou”. Confrontada, entretanto, com o curso irrefragável das coisas, ela se mostra insustentável e falaciosa. Curiosamente, a maioria dos que buscam a felicidade intui que não pode encontra-la na ciência pura ou nalgum centro tecnológico. Vai a um pai ou mãe de santo ou a um centro espírita ou freqüenta um grupo carismático, consulta um guru ou lê o horóscopo ou estuda o I-Ching da felicidade. Tem consciência de que a produção da felicidade não está na razão analítica e calculatória mas na razão sensível e na inteligência emocional e cordial. Isso porque a felicidade deve vir de dentro, do coração e da sensibilidade.



Para dizer logo, sem outras mediações, não se pode ir direto à felicidade. Quem o faz, é quase sempre infeliz. A felicidade resulta de algo anterior: da essência do ser humano e de um sentido de justa medida em tudo.



A essência do ser humano reside na capacidade de relações. Ele é um nó de relações, uma espécie de rizoma, cujas raízes apontam para todas as direções. Só se realiza quando ativa continuamente sua panrelacionalidade, com o universo, com a natureza, com a sociedade, com as pessoas, com o seu próprio coração e com Deus. Essa relação com o diferente lhe permite a troca, o enriquecimento e a transformação. Deste jogo de relações, nasce a felicidade ou a infelicidade na proporção da qualidade destes relacionamentos. Fora da relação não há felicidade possível.



Mas isso não basta. Importa viver um sentido profundo de justa medida no quadro da concreta condição humana. Esta é feita de realizações e de frustrações, de violência e de carinho, de monotonia do cotidiano e de emergências surpreeendentes, de saúde, de doença e, por fim, de morte.



Ser feliz é encontrar a justa medida em relação a estas polarizações. Dai nasce um equilíbrio criativo: sem ser pessimista demais porque vê as sombras, nem otimista demais porque percebe as luzes. Ser concretamente realista, assumindo criativamente a incompletude da vida humana, tentando, dia a dia, escrever direito por linhas tortas.



A felicidade depende desta atitude, especialmente quando nos confrontamos com os limites incontornáveis, como, por exemplo, as frustrações e a morte. De nada adianta ser revoltado ou resignado, Mas tudo muda se formos criativos: fazer dos limites fontes de energia e de crescimento. É o que chamamos de resiliência: a arte de tirar vantagens das dificuldades e dos fracassos.



Aqui tem seu lugar um sentido espiritual da vida, sem o qual a felicidade não se sustenta a médio e a longo prazo. Então aparece que a morte não é inimiga da vida, mas um salto rumo a uma outra ordem mais alta. Se nos sentimos na palma das mãos de Deus, serenamos. Morrer é mergulhar na Fonte. Desta forma, como diz Pedro Demo, um pensador que no Brasil melhor estudou a “Dialética da Felicidade”(em três volumes, pela Vozes): ”Se não dá para trazer o céu para terra, pelo menos podemos aproximar o céu da terra”. Eis a singela e possível felicidade que podemos penosamente conquistar como filhos e filhas de Adão e Eva decaídos.

domingo, 6 de julho de 2008

Earth Charter Iniciative Report of Activities 2007

Para compreender a estrutura da Iniciativa da Carta da Terra no mundo, recorto informações gerais, com ênfase no Brasil. Dúvidas, escrevam.

List of ECI Council Members (membros do conselho da ECI)
Steven C. Rockefeller (United States), Co-Chair
Razeena Omar (South Africa), Co-Chair
Zainab Bangura (Sierra Leone)
Mateo A. Castillo Ceja (Mexico)
Rick Clugston (USA)
Marianella Curi (Bolivia)
Camila Argolo Godinho (Brazil)
Wakako Hironaka (Japan)
Barbro Holmberg (Sweden)
Li Lailai (Peoples Republic of China)
Song Li (Peoples Republic of China/USA)
Alexander Likhotal (Russia / Switzerland)
Brendan Mackey (Australia)
Elizabeth May (Canada)
Oscar Motomura (Brazil)
Dumisani Nyoni (Zimbabwe)
Henriette Rasmussen (Greenland)
Alide Roerink (The Netherlands)
Mohamed Sahnoun (Algeria)
Kartikeya V. Sarabhai (India)
Tommy Short (USA)
Mary Evelyn Tucker (USA)
Erna Witoelar (Indonesia)
List of Earth Charter Commissioners
Latin America and the Caribbean
Mercedes Sosa (Argentina) (Co-chair)
Leonardo Boff (Brazil)
Yolanda Kakabadse (Ecuador)
Shridath Ramphal (Guyana)

List of Advisors
Alan AtKisson (United States/Sweden)
Peter Blaze Corcoran (United States)
Abelardo Brenes (Costa Rica)
Moacir Gadotti (Brazil)
Herbert Girardet (United Kingdom)
Edgar Gonzalez-Gaudiano (Mexico)
Parvez Hassan (Pakistan)
Bianca Jagger (Nicaragua/United Kingdom)
Calestous Juma (Kenya/United States)
Rustem Khairov (Russia)
Amory Lovins (United States)
Jim MacNeill (Canada)
Herman Mulder (The Netherlands)
Marina Novo (Spain)
Edmund O’Sullivan (Canada)
Jan Roberts (United States)
Nick Robinson (United States)
Hans van Ginkel (The Netherlands)
Moema Viezzer (Brazil)

List of Partner Organizations (partial)
Amana-Key - (Brazil)
Earth Charter Associates -(United States)
Green Cross International
Heart in Action Enterprises,
InternationalItaipu (Brazil)
Ministry of Environment (Brazil)
Ministry of Environment (Mexico)
Peace Child International
Taking It Global, International
Transformative Learning Centre, Ontario Institute for Studies in Education, University of Toronto (Canada)
University for Peace, International
University for International Cooperation (Costa Rica)

Staff (current)
Earth Charter International Secretariat and Earth Charter Center for Education for Sustainable Development at UPEACE San José, Costa Rica
Mirian Vilela, Executive Director
Marina Bakhnova, Project Coordinator
Alicia Jimenez, Project Coordinator
Betty McDermott, Project Coordinator
Lisa Jokivirta, Intern (Education)
Dominic Stucker, International Youth Coordinator
Michael Slaby, Inter-faith Coordinator

List of Earth Charter Initiative Affiliates - BRAZIL
Flávio Boleiz Júnior*
Pedagogo, Orientador Pedagógico Educacional
E-mail: boleiz@terra.com.br

Moacir Gadotti
Instituto Paulo Freire
E-mail: ipf@paulofreire.org, gadotti@paulofreire.org
www.paulofreire.org

Rose Marie Inojosa
UMAPAZ
E-mail: umapaz@prefeitura.sp.gov.br
www.prefeitura.sp.gov.br/umapaz

Aieska Marinho Lacerda Silva
Instituto BioMA
E-mail: aieskalacerda@terra.com.br
www.bioma.org.br


Marcia Maria Miranda Boff
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
cddh@cddh.org.br
www.cddh.org.br

Michele Sato
Universidade Federal de Mato Grosso
E-mail: misato@terra.com.br; michele@cpd.ufmt.br
www.ufms.br

Valéria Viana Labrea
Nucleo dos Amigos da Infância e da Adolescência – NAIA
E-mail: valeria.labrea@uol.com.br; valeria.labrea@hotmail.com
www.forumzinho.org.br

Fonte: The Earth Charter Iniciative Report of Activities 2007
www.earthcharter.org

Que futuro nos espera, Leonardo Boff

Leonardo Boff
Teólogo

Que futuro nos espera?

Muitos analistas fazem prognósticos sombrios sobre o futuro que nos espera como James Lovelock, Martin Rees, Samuel P. Huntington, Jacque Attali e outros. É certo que a história não tem leis, pois ela se move no reino das liberdades que estão submetidas ao princípio de indeterminação de Bohr/Heisenberg e das surpreendentes emergências, próprias do processo evolucionário. No entanto, um olhar de longo prazo, nos permite constatar constantes que podem nos ajudar a entender, por exemplo, o surgimento, a floração e a queda dos impérios e de inteiras civilizações. Quem se deteve mais acuradamente sobre esta questão foi o historiador inglês Arnold Toynbee (+1976), o último a escrever dez tomos sobre as civilizações historicamente conhecidas:A Study of History. Ai ele maneja uma categoria-chave, verdadeira constante sócio-histórica, que traz alguma luz ao tema em tela. Trata-se da correlação desafio-resposta (challenge-response). Assinala ele que uma civilização se mantém e se renova na media em que consegue equiibrar o potencial de desafios com o potencial de respostas que ela lhes pode dar.

Quando os desafios são de tal monta que ultrapassam a capacidade de resposta, a civilização começa seu ocaso, entra em crise e desaparece. Estimo que nos confrontamos atualmente com semelhante fenômeno. Nosso paradigma civilizacional elaborado no Ocidente e difundido por todo o globo, está dando água por todos os lados. Os desafios (challanges) globais são de tal gravidade, especialmente os de natureza ecológica, energética, alimentar e populacional que perdemos a capacidade de lhe dar uma resposta (response) coletiva e includente. Este tipo de civilização vai se dissolver. O que vem depois? Há só conjeturas. O conhecido historiador Eric Hobsbawn vaticina: ou ingressamos num outro paradigma ou vamos ao encontro da escuridão. Quero me deter nos prognósticos de Jacques Attali, economista, ex-assessor de F. Mitterand e pensador francês em seu livro Une brève histoire de l’avenir (2006), pois me parecem verossímeis, embora dramáticos. Ele pinta três cenários prováveis que resumirei brevemente. O primeiro e do superimpério. Trata-se dos EUA e de seus aliados. Eles conferem um rosto ocidental à globalização e lhe imprimem direção que atende seus interesses. Sua força é de toda ordem, mas principalmente militar: pode exterminar toda a espécie humana. Mas está decadente, com muitas de contradições internas que se mostram na enexorável desvalorização do dólar. O segundo é o superconflito. É o que segue à quebra da ordem imperial. Entra-se num processo coletivo de caos (não necessariamene generativo).

A globalização continua mas predomina a balcanização com domínios regionais que podem gerar conflitos de grande devastação. A anomia internacional abre espaço para que surjam grupos de piratas e corsários que cruzarão os ares e os oceanos, saqueando grandes empresas e gestando um clima de insegurança global. Estas forças podem ter acesso a armas de destruição em massa e, no limite, ameaçar a espécie humana. Esta situação extrema clama por uma solução também extrema. É o terceiro cenário, da superdemocracia. A humanidade, se não quiser se auto-destruir, deverá elaborar um contrato social mundial com a criação de instancias de governabilidade global com a gestão coletiva e eqüitativa dos escassos recursos da natureza. Se ela triunfar, inaugurar-se-á uma etapa nova da civilização humana, possivelmente com menor conflitividade e mais cooperação. Só nos resta rezar para que este último cenário aconteça.