Carta da Terra no Brasil

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

A voz das vitimas: quem a escutará?




Leonardo Boff
Teólogo

Os 192 chefes de estado ou de governo deverão se reunir nos dias 1, 2 e 3 de junho em Nova Yorque convocados pela ONU para discutirem a crise econômico-financeira e seus impactos sobre os diferentes países, especialmente sobre os pobres. Para prepará-la, o Presidente da Assembleia Miguel 'Escoto Brockmann, ex-chanceler da Nicarágua, criou uma Comissão para a Reforma do Sistema Financeiro e Monetário Internacional constituída por 20 celebridades da economia e da politica sob a coordenação do prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz.

Os resultados já foram entregues e sabe-se mais ou menos os conteúdos principais. Como arco teórico, ético e humanístico que deve inspirar as novas medidas concretas é sugerida uma Declaração Universal do Bem Comum da Humanidade e da Terra, tarefa difícil de ser realizada por falta de tradição jurídica e social nesta área. Em seguida, se recomenda a criação de um Conselho Mundial de Coordenação Econômica, paralelo ao Conselho de Segurança, desdobrado em duas autoridades mundiais, uma que cuida da regulação financeira e a outra da concorrência na economia. Sugere-se uma reforma das instituições de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial) e uma regionalização das instituições financeiras que apoiam os processos de desenvolvimento. Pede-se ainda que, uma vez ao ano, os chefes de estado ou de governo de todo o mundo se encontrem para discutir o estado da Terra e da Humanidade e tomar medidas coletivas.

O grande temor é que esta reunião mundial seja esvaziada pelas pressões dos principais membros do G-20, enviando apenas representantes diplomáticos ou ministros. Por detrás destas pressões estão duas maneiras diferentes de enfrentar a crise atual.

Uma é a do G-20 que se reuniu em Londres em abril. Fundamentalmente se propõe salvar o sistema econômico-financeiro imperante para que, no fundo, tudo funcione como antes, com certos controles mas com níveis razoáveis de crescimento, mesmo sacrificando o equilíbrio da Terra e perpetuando o escandaloso fosso entre ricos e pobres. O propósito é o mesmo: como ganhar mais com o mínimo de investimento, competindo no mercado e considerando o estresse da natureza e a pobreza como externalidades.

A outra é dos grupos altermundistas, presentes em todos os estratos sociais do mundo e, em parte, assumida pela Comissão da ONU. Trata-se de situar a crise econômica no conjunto das demais crises: a energética, a alimentária, a do aquecimento global, a da insustentabilidade do planeta (passamos em 40% a capacidade de reposição dos recursos naturais) e a social e humanitária (quase um bilhão de pessoas abaixo da linha da pobreza). Mais que salvar o sistema trata-se de salvar a humanidade, a vida ameaçada e o planeta em estado caótico. O propósito é como garantir o bem viver em harmonia com os outros e com a natureza, produzindo conforme os seus ciclos, com equidade social e com solidariedade generacional.

Sendo o problema global, as soluções devem ser bembém globais. O único órgão glabal que existe é a ONU e é ela que deveria coordenar os esforços coletivos de enfrentamento da crise e não o G-20. Este não possui delegação para representar os demais 172 países, vítimas da crise global, cujas vozes não são escutadas.

As crises não surgem em vão. Elas emergem daquela Energia de fundo, carrgada de propósito, que comanda o universo, a Terra e cada um de nós e que está exigindo um novo patamar de civilização, capaz de desenhar um outro futuro de esperança. Face a esta gravíssima situação notam-se duas limitações: a primeira, é dos economistas que, por ofício, tratam de economia mas possuem parca acumulação em ecologia; por isso, como se vê em todas as partes, não incluem a natureza em suas ponderações como se a Terra fosse inesgotável e estivesse em ordem, como não está. A segunda é dos chefes de estado: depois de séculos de racionalismo e de materialismo ficaram todos embotados. Não percebem as mensagens que o universo e a Terra, como superorganismo vivo, lhes estão enviando no sentido de uma transformação. Por sua falta de escuta, acontece o que dizia Gramcsi:"o velho resiste em morrer e o novo não consegue nascer". E assim perdemos a chance, das últimas, para um novo começo. E nos atolamos em nossas próprias crises.

Leonardo Boff é autor de Ecologia, Mundialização e Espiritualidade, Record 2009.


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Conferência com Boaventura de Sousa Santos


Quinta-feira, dia 4 de junho a UnB recebe o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos.
Um dos pensadores mais respeitados da atualidade, Boaventura visita a UnB e fala em conferência no dia 4 de junho de 2009 às 8h30, no Anf. 9. O tema é "Reinvenção da Emancipação Social a partir das Epistomologias do Sul".
A conferência de Boaventura integra a temática Universidade e Sociedade, a terceira do ciclo de debates "UnB em ReestruturAção" onde se tem buscado agregar e subsidiar a discussão em torno da construção do projeto político pedagógico institucional da Universidade de Brasília. A realização é do Decanato de Ensino de Graduação, no âmbito do Programa de Reestruturação e Expansão da Universidade de Brasília - REUNI.

Programação:

Manhã
8:30 - 8:45 - Abertura: Prof. José Geraldo de Sousa Júnior
Reitor da Universidade de Brasília

8:45 - 9:45 Conferência: Reinvenção da Emancipação Social a partir das
Epistemologias do Sul

Prof. Dr. Boaventura de Sousa Santos
Universidade de Coimbra - Portugal
Diretor Científico do Observatório Permanente da
Justiça Portuguesa


9:45 - 12:00 - Mesa Redonda

Prof. Dr. José Geraldo de Sousa Júnior - UnB

Prof. Dr. Boaventura de Sousa Santos - Universidade de Coimbra

Prof. Dr. Naomar de Almeida Filho
Reitor da Universidade Federal da Bahia

Prof. Dr. Roberto Ramos Aguiar
Jurista e Ex-Reitor da Universidade de Brasília

Mensagem da Carta da Terra Brasil

video

Garapa. É feita de açúcar. Mas tem o gosto amargo da fome.



Oi. É de madrugada. Cheguei em casa.




Abri a minha geladeira, ainda agora, os armários da cozinha também, tentando achar alguma coisa para comer.Achei.


No documentário "Garapa" , que assisti nesta noite, comer quando se tem fome é um privilégio que nem sempre existe.

Quase não fui ver esse filme hoje, que vem gerando polêmica já faz um tempo. Depois de um dia cheio, encarar uma sessão cheia também, pra ver um filme pesado sobre o tema da fome às 21h30min de uma terça-feira, não pareceu lá muito atrativo. Porém, eu tinha todo o interesse no tema, que tem feito parte da minha vida. Além de ter alguma simpatia pelo trabalho do diretor do filme. E queria prestigiar as pessoas conhecidas, queridas, batalhadoras que estavam diretamente envolvidas no evento.

Fui.


Não sei ainda o que estou sentindo.

E é nessa confusão de sentimentos que escrevo.

Certamente estou sob efeito da catarse que só o cinema permite que a gente faça.

Ainda estou sentindo no meu corpo as moscas, as feridas, a dor e a fome daquelas crianças, a vida de luta pesada, diária, daqueles homens e mulheres.


Tinha que mandar este email para vocês, para dizer que o filme vai entrar no circuito e que toda renda gerada pela sua exibição e pelas cópias em DVD será revertida para as famílias que protagonizam "Garapa", essa história da mistura de açúcar e água, que de doce não tem nada. Que é de açúcar, mas tem o gosto amargo da fome.


"Garapa" é só o que tem para matar a fome naquelas casas.


O documentário foi dirigido pelo José Padilha, o mesmo de "Tropa de Elite".


Pergunta: - Por que fazer o filme em preto e branco, Padilha?
Resposta do diretor: - Numa história em que tudo falta - roupa, comida, água, remédio - também tinha que faltar música, cor, efeitos, edição.


A gente sabe que é assim. Sabe os números do complexo problema da fome. Sabe que a fome está longe de mobilizar os países, como aconteceu diante da crise e como acontece na indústria da guerra. Sabe também que, na contra-mão do mundo, o Brasil reduziu a fome. Entre o ano da filmagem de "Garapa"", 2005, e hoje, a vida dessas e outras famílias mudou e está mudando. E daí? Não consigo me confortar com isso agora.


Aquelas famílias não são aquelas famílias apenas. Também são metáforas de milhões de famílias no mundo todo.

Muita gente fez muitas perguntas ao diretor após a sessão do filme, queriam saber isso, queriam saber aquilo.

Por isso, o evento se espichou noite à dentro.


Acho que as pessoas teriam ficado muito mais tempo, perguntando, perguntando...

Acho que todo mundo esperava, em algum momento, que alguma resposta do diretor pudesse sustentar a ilusão de que aquilo era faz-de-conta. Não era. Não é.

Perguntar tanto sobre aqueles "outros", supostamente tão distantes, também foi uma forma de catarse.

Foi uma forma de senti-los bem longe. Não estão longe.


O que sempre me marca nessas histórias, como as que são contadas no filme, é que, apesar de tudo, elas têm sorriso, carinho, cuidado com as crianças, uma força que vem não sei de onde.

Tem contradição. Tem conflito. Tem humanidade ainda ali. Apesar de tudo, ainda tem gente ali.


O cinema inventou a sua estética da miséria.

Burocracia não mata a fome.

Mas esse filme e a associação dele na campanha pela lei do direito à alimentação abrem um outro caminho importante a ser trilhado, em meio ao monte de coisas - mesmo em meio ao muito que já foi feito pela sociedade e pelo governo -, que ainda é preciso fazer.



Bom, mando, abaixo, um link para o trailer do filme, que achei no YouTube agora.
E mando também um link para a campanha pelo direito à alimentação.

Ainda, mando uma nota de imprensa sobre essa articulação toda.

Acho que o debate pede nossa atenção crítica.

Por isso, resolvi mandar este email a todos vocês.


Quero comer o alimento que achei. Mas esse nó na garganta não desata.

Um beijo. Sinceramente comovida, Josi.

TRAILER DO FILME GARAPA

http://www.youtube.com/watch?v=UM03baZkEeU

CAMPANHA PELO DIREITO CONSTITUCIONAL À ALIMENTAÇÃO


O FILME GARAPA E A CAMPANHA PELO DIREITO À ALIMENTAÇÃO


OPINIÕES SOBRE O FILME











World is a big and crazy yellow submarine.
O mundo é um grande e louco submarino amarelo.


video

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A quem pertence a Terra?



Leonardo Boff
Teólogo


No Brasil se discute muito a questão da internacionalização da Amazônia ou a quem pertence essa rica porção do planeta Terra. Sem querer entrar nesta discussão que um dia retomarei, percebo que ela remete a outra ainda mais fundamental: a quem pertence a Terra?

Muitas são as respostas possíveis, algumas verdadeiras, outras insuficientes ou até falsas. Com certa naturalidade poderíamos responder: a Terra pertence aos humanos. Apelamos até à palavra das Escrituras que nos dizem: "entrego-vos tudo...propagai-vos pela Terra e dominai-a"(Gn 9,3.7). Estranhamente, os humanos irromperam no cenário da evolução quando a Terra estava em 99,98% pronta. Eles não assistiram ao seu nascimento nem ela precisou deles para organizar sua complexidade e biodiversidade. Como pode lhes pertencer? Só a ignorância unida à arrogância os faz pretender a posse da Terra.

Poderíamos ainda responder: a Terra pertence aos seres mais numerosos que a habitam. Então ela pertenceria aos microorganismos - bactérias, fungos, vírus - pois constituem 95% de todos os seres vivos. Segundo o conceituado biólogo E. Wilson um grama de terra contem cerca de 10 bilhões de bactérias de 6 mil espécies diferentes. Imaginemos os quintilhões de quintilhões de micro-organismos que habitam a totalidade dos solos terrestres. Todos estes têm mais direito de posse da Terra do que nós, seja por sua ancestralidade, seja pelo número seja pela função de garantir a vitalidade do planeta.

Ou ela pertence à totalidade dos ecossistemas que servem à comunidade de vida, regulando os climas e a composição fiísico-química do planeta. Esta resposta é boa mas insuficiente porque esquece as relações que a Terra entretém com as energias e os elementos do universo.

Assim, a Terra pertence ao sistema solar que, por sua vez, pertence à nossa galáxia, a Via Láctea que, por fim, pertence ao cosmos. Ela é um momento de um processo evolucionário de 13,7 bilhões de anos,

Mas esta resposta não nos satisfaz pois ela remete a uma pergunta ulterior: e o cosmos a quem pertence? Pertence àquela Energia de fundo, ao Vácuo Quântico, ao Abismo alimentador de todos os seres, à Fonte originária de tudo. Esta é a resposta que os astrofísicos e cosmólogos costumam dar. E é correta. Mas não é ainda a última.

Cabe uma derradeira pergunta: a quem pertence a Energia de fundo do universo? Alguém poderia simplesmente responder: ela não pertence a ninguém, pois pertence a si mesma. Esta resposta é simplesmente uma não-resposta porque nos coloca diante de um muro. Ela nos remete à teologia, a Deus.
Mudando de registro e caindo na nossa realidade cotidiana e brutal dos negócios: a quem pertence a Terra? Ela, na verdade, pertence aos que detém poder, aos que controlam os rmercados, aos que vendem e compram seu chão, seus bens e serviços, água, genes, sementes, órgãos humanos, pessoas feitas também mercadorias. Estes pretendem ser os donos da Terra e dispõem dela como bem entendem.

Mas são donos ridículos pois esquecem que não são donos deles mesmos, nem de sua origem nem de sua morte.

A quem pertence à Terra? Fico com a resposta mais sensata e satisfatória das religiões, bem representadas pela judaico-cristã. Nesta Deus diz: "Minha é a Terra e tudo o que ela contem e vocês são meus hóspedes e inquilinos"(Lv 25,23). Só Deus é senhor da Terra e não passou escritura de posse a ninguém. Nós somos hóspedes temporários e simples cuidadores com a missão de torná-la o que um dia foi: o Jardim do Éden.

Leonardo Boff é autor de Opção Terra. A solução da Terra não cái do céu. Record 2009.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Quando o Céu casa com a Terra

Leonardo Boff
Teólogo


Observando o processo de mundialização, entendido como nova etapa da humanidade e da Terra, no qual culturas, tradições e povos os mais diversos se encontram pela primeira vez, tomamos consciência de que podemos ser humanos de muitas maneiras diferentes e que se pode encontrar a Última Realidade, a mais íntima e profunda, seguindo muitos caminhos. Pensar que há uma única janela pela qual se pode vislumbrar a paisagem divina é a ilusão dos cristãos do Ocidente. É também o seu erro. Hoje o atual Papa vive repetindo a sentença medieval, superada pelo Vaticano II, de que "fora da Igreja não há salvação". Para ele, ela é a única religião verdadeira e as outras são tamsomente braços estendidos ao céu mas sem a certeza de que Deus acolha esta súplica. Pensar assim é ter pouca fé e imaginar que Deus tem o tamanho da nossa cabeça. Quem não encontrou pessoas profundamente piedosas de outras religiões, nas quais se percebe claramente a presença de Deus? Não reconhecer tal realidade é, na verdade, pecar contra o Espírito Santo que está sempre alimentando a dimensão espiritual ao largo dos tempos históricos.

Nas minhas muitas viagens, nos encontros com culturas diferentes e com pessoas religiosas de todo tipo, me dei conta da necessidade que todos temos de aprender uns dos outros e da profunda capacidade de veneração da qual os mais diferentes povos dão convincente testemunho.

Há alguns anos, dei palestras em muitas cidades da Suécia sobre ecologia e espiritualidade. Numa ocasião me levaram quase ao pólo norte onde vivem os samis (esquimós). Eles não gostam de encontrar estrangeiros. Mas sabendo que era um teólogo da libertação, quiseram conhecer esta raridade. Vieram três líderes indígenas. O mais velho logo me perguntou:"Os índios do Brasil casam o Céu com a Terra ou não"? Eu logo entendi a intenção e respondi de pronto:"Lógico que casam, pois deste casamento nascem todas as coisas". Ao que ele, feliz, retrucou:"então são ainda índios e não são como nossos irmãos de Oslo que já não acreditam no Céu". E dai seguiu-se um dialogo profundo sobre o sentido de unidade entre Deus, o mundo, o homem, a mulher, os animais, a terra, o sol e a vida.

Experiência semelhante vivi em 2008 na Guatemala quando participei de uma belíssima celebração com sacerdotes maias junto o lago Atitlan. Havia também sacerdotisas. Tudo se realizava ao redor do fogo sagrado. Começaram invocando as energias das montanhas, das águas, das florestas, do sol e da mãe Terra. Durante a cerimônia, uma sacerdotisa se avizinhou de mim e disse:"você está muito cansado e deve ainda trabalhar bastante". Efetivamente, por vinte dias percorri, de carro, vários paises participando de eventos e dando muitas palestras. E então ela com seu polegar pressionou meu peito, na altura do coração, com tal força a ponto de quase me quebrar uma costela. Tempos depois, retornou a mim e disse:"você tem um joelho machucado". Eu lhe perguntei: "como sabe"? E ela respondeu: "eu o senti pela força da Mãe Terra". Com efeito, ao desembarcar na praia, retorci o joelho que inchou. Levou-me junto ao fogo sagrado e por trinta a quarenta vezes passou a mão do fogo ao joelho até que esse desinchasse totalmente. Antes de terminar a celebração que durou cerca de três horas, retornou a mim e disse:"está ainda cansado". E novamente pressionou fortemente o polegar sobre meu peito. Senti estranho ardor e de repente estava relaxado e tranqüilo como nunca antes.

São sacerdotes-xamãs que entram em contacto com as energias do universo e ajudam as pessoas no seu bem viver.

Certa vez perguntei ao Dalai Lama:"Qual é a melhor religião"? E ele com um sorriso entre sábio e malicioso respondeu:"É aquela que te faz melhor". Perplexo continuei: "o que é fazer-me melhor"? E ele:"aquela que te faz mais compassivo, mais humano e mais aberto ao Todo esta é a melhor". Sábia resposta que guardo com reverência até os dias de hoje.

Leonardo Boff é autor do livro O casamento entre o Céu e a Terra, Salamandra 2001.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vídeo da Carta da Terra Brasil

Car@s Enredad@s,

 

A Carta da Terra lançou no dia 22 de Abril de 2009 a sua primeira campanha de comunicação no Brasil em suporte ao Dia Mundial da Terra.
A campanha está ancorada em um filme de 60 segundos que será veiculado pelas principais emissoras de televisão por assinatura do pais.

O objetivo da campanha é motivar as pessoas a conhecer a declaração de princípios éticos dA Carta da Terra, compreender os seus conceitos e aplica-los com uma orientação para as suas atividades diárias.
Esta animação foi produzida a partir de desenhos feitos por crianças da Casa do Zezinho, entidade social que visa promover a cultura e educação entre crianças carentes na cidade de São Paulo. (Fonte: WWW.cartadaterrabrasil.org)

 

http://vimeo.com/4355062

 

 

Valéria Viana Labrea

Coordenação Pedagógica do Programa Escola Aberta UnB - http://conexoesabertas.ning.com/
 

Rede Universitária de Educação e Meio Ambiente de Brasília http://ruemabsb.ning.com/

Conheça a Carta da Terra - www.cartadaterra.com.br

 

Blog Vivemos Juntos - http://vivemosjuntos.blogspot.com

 

Memória do FórumZINHO Social Mundial - www.forumzinho.org.br


"Devemos lutar pela igualdade sempre que a diferença nos inferioriza, mas devemos lutar pela diferença sempre que a igualdade nos descaracteriza" - Boaventura de Souza Santos

 

 

Primeiro encontro da RUEMA-BSB será na UnB no Anísio Teixeira.

 

 

 REDE UNIVERSITÁRIA DE EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE DE BRASÍLIA – RUEMA-BSB, surge com a idéia de articular e fortalecer projetos de pesquisa e de extensão universitária, bem como dar visibilidade aos grupos de pesquisa que tem como objeto de estudo o ambiente, a educação e a gestão ambiental. Em comum, o território – Brasília/DF – e o vínculo/parceria com a Universidade.

 

Ampliamos a rede para universidades fora do DF, porque sabemos que o Cerrado e BSB e seu entorno são temas de vários trabalhos desenvolvidos em todo o Brasil. A idéia é ser uma rede de pesquisa-ação, particip-ação, moviment-ação. Atualmente contamos com 84 membros, cujas páginas pessoais estão disponíveis em nosso ambiente de aprendizagem, o ning.

 

Convidamos a tod@s pesquisadores/extensionistas e parceiros que estiverem em Brasília a participar do 1o. Encontro da REUMA-BSB onde vamos conversar sobre as REDES SOCIAIS, suas potencialidades e limites.


Nessa conversa vamos ter como problematizadoras a profa. Maria de Fátima Makiuchi cuja tese versa sobre a organização de redes ambientais locais e eu, Valéria Viana Labrea, cuja dissertação também discute redes de educação ambiental.

Os temas dos próximos encontros serão construídos nesse primeiro encontro presencial, cujas temas e problematizadores podem ser sugeridos na hora, pelos enredados presentes.

A idéia inicial da RUEMABSB parte de um grupo de pesquisadores (estudantes e professores) vinculados ao CDS/UnB e Ecologia Humana/Faculdade de Educação.

 

Horário: 8 maio 2009 de 9:45 a 11:45
Local: Universidade de Brasília, Pavilhão Anísio Teixeira, sala 117
Cidade: Brasília

 

Valéria Viana Labrea

Coordenação Pedagógica do Programa Escola Aberta UnB - http://conexoesabertas.ning.com/
 

Rede Universitária de Educação e Meio Ambiente de Brasília http://ruemabsb.ning.com/

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"Devemos lutar pela igualdade sempre que a diferença nos inferioriza, mas devemos lutar pela diferença sempre que a igualdade nos descaracteriza" - Boaventura de Souza Santos

 

 

sábado, 2 de maio de 2009

O século dos direitos da Mãe Terra

Leonardo Boff
Teólogo

A afirmação mais impactante do dicurso do presidente da Bolívia Evo Morales Ayma no dia 22 de Abril na Assembleia Geral da ONU ao se proclamar este dia como o Dia Internacional da Mãe Terra talvez tenha sido a seguinte: “Se o século XX é reconhecido como o século dos direitos humanos, individuais, sociais, econômicos, políticos e culturais, o século XXI será reconhecido como o século dos direitos da Mãe Terra, dos animais, das plantas, de todas as criaturas vivas e de todos os seres, cujos direitos também devem ser respeitados e protegidos”.

Aqui já nos defrontamos com o novo paradigma, centrado na Terra e na vida. Não estamos mais dentro do antropocentrismo que desconhecia o valor intrínseco de cada ser, independentemente, do uso que fizermos dele. Cresce mais e mais a clara consciência de que tudo o que existe merece existir e tudo o que vive merece viver.

Consequentemente, devemos enriquecer nosso conceito de democracia no sentido de uma biocracia ou democracia sócio-cósmica porque todos os elementos da natureza, em seus próprios níveis, entram a compor a sociabilidade humana. Nossas cidades seriam ainda humanas sem as plantas, os animais, os pássaros, os rios e o ar puro?

Hoje sabemos pela nova cosmologia que todos os seres possuem não apenas massa e energia. São portadores também de informação, possuem história, se complexificam e criam ordens que comportam certo nível de subjetividade. É a base científica que justifica a ampliação da personalidade jurídica a todos os seres, especialmente aos vivos.

Michel Serres, filósofo francês das ciêencias, afirmou com propriedade:” A Declaração dos Direitos do Homem teve o mérito de dizer ‘todos os homens têm direitos’ mas o defeito de pensar ‘só os homens têm direitos’”. Custou muita luta o reconhecimento pleno dos direitos dos indígenas, dos afrodescendentes e das mulheres, como agora está exigindo muito esforço o reconhecimento dos direitos da natureza, dos ecossistemas e da Mãe Terra.

Como inventamos a cidadania, o governo do Acre de Jorge Viana cunhou a expressão florestania, quer dizer, a forma de convivênicia na qual os direitos da floresta e de todos os que vivem dela e nela são afirmados e garantidos.

O Presidente Morales solicitou à ONU a elaboração de uma Carta dos direitos da Mãe Terra cujos tópicos principais seriam: o direito à vida de todos os seres vivos; o direito à regeneração da biocapacidade do Planeta; o direito a uma vida pura, pois a Mãe Terra tem o direito de viver livre da contaminação e da poluição; o direito à harmonia e ao equilíbrio com e entre todas as coisas. E nós acrescentarímos, o direito de conexão com o Todo do qual somos parte.

Esta visão nos mostra quão longe estamos da concepção capitalista, da qual ficamos reféns durante séculos, segundo a qual a Terra é vista como um mero instrumento de produção, sem propósito, um reservatório de recursos que podemos explorar ao nosso bel prazer. Faltou-nos a percepção de que a Terra é verdadeiramente nossa Mãe. E Mãe deve ser respeitada, venerada e amada.

Foi o que asseverou o Presidente da Assembléia Miguel d’Escoto Brockmann ao encerrar a sessão: “É justíssimo que nós, irmãos e irmãs, cuidemos da Mãe Terra pois é ela que, ao fim e cabo, nos alimenta e sustenta”. Por isso, apelava a todos que escutássemos atentamente os povos originários, pois, a despeito de todas as pressões contrárias, mantém viva a conexão com a natureza e com a Mãe Terra e produzem em consonância com seus ritmos e com o suporte possível de cada ecossistema, contrapondo-se à rapinagem das agroindústrias que atuam por sobre toda a Terra.

A decisão de acolher a celebração do Dia Internacional da Mãe Terra da Terra é mais que um símbolo. É uma viragem no nosso relacionamento para com a Terra, escapando do padrão dominante que nos poderá levar, se não fizermos transformações profundas, à nossa autodestruição.

Leonardo Boff é autor de Ethos Mundial. Um consenso mínimo entre os humanos, (Sextante), Rio de Janeiro.