Carta da Terra no Brasil

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Extrapolação e colapso do sistema mundial?

Leonardo Boff
Teólogo


Como nunca antes, se fala hoje em todos os paises e forums, de desenvolvimento-crescimento. É uma obsessão que nos acompanha já há pelo menos três séculos. Agora que ocorreu o colapso econômico, a idéia retornou com renovado vigor, porque a lógica do sistema não permite, sem se autonegar, de abandonar essa idéia-matriz. Ai das economias que não conseguem refazer seus níveis de desenvolvimento-crescimento. Vão simplesmente sucumbir junto com uma eventual tragédia ecológica e humanitária.

Mas precisamos dizer com todas as palavras: essa retomada é uma armadilha na qual a maioria está caindo, inclusive Bento XVI na sua recente enciclica Caristas in veritate, toda dedicada do desenvolvimento. Isso pôde ser verificado quase unanimemente, nos discursos dos representantes dos 192 povos presentes na ONU no final de junho. A grande exceção, que causou espanto, foi a fala inicial e final do Presidente da Assembléia da ONU, Miguel d'Escoto, que pensou para frente na lógica de um outro paradigma de relação Terra-Vida-Humanidade-Economia e subordinando o desenvolvimento a serviço destas realidades axiais. De resto, não se dizia outra coisa: há que se retomar o desenvolvimento-crescimento senão a crise se pereniza.

Por que digo que é uma armadilha? Porque, para alcançar os índices mínimos de desenvolvimento-crescimento de 2% anuais previstos, precisaríamos, dentro de pouco, de duas Terras iguais a que temos. Não o digo eu, disse-o o ex-presidente francês J. Chirac por ocasião da publicação em Paris no dia 2 de fevereiro de 2007 dos resultados do aquecimento global pelo IPCC. Repete-o com frequência o renomdo biólogo Edward Wilson e o formulador da teoria da Terrra como Gaia, o cientista James Lovelock, entre outros. A Terra está dando inequívocos sinais de estresse generalizado. Há limites intransponíveis.

Recentemente, o Secretário da ONU, Ban-Ki-Moon alertou os povos de que temos cerca de dez anos apenas para salvar a civilização humana de uma ecocatástrofe planetária. Num número recente da revista Nature um prestigioso grupo de cientistas publicou um relatório sobre "Os limites do Planeta" (Planetary Boundaries) onde afirmavam que em vários ecossistemas da Terra estamos chegando ao pico (tipping Point) com referência à desertificação, ao derretimento das colotas polares e do Himalaia e à crescente acidez dos oceanos. Cabe aqui citar, a meu ver, o estudo mais bem fundado dos autores do legendário Os limites do crescimento do Clube de Roma de 1972: D. Meadows e J. Randers. O livro deles de 1992 tem por título que é um alerta: Além dos limites: colapso total ou um futuro sustentável.

A tese destes autores é de que a excessiva aceleração do desenvolvimento-crescimento das últimas décadas, do consumo e do desperdício, nos fizeram conhecer os limites ecológicos da Terra. Não há técnica nem modelo econômico que garanta a sustentabilidade do atual projeto. O economista Ignacy Sachs, amigo do Brasil, um dos poucos a propor um ecosociodesenvolvimento comenta:"Não se pode excluir a idéia de que, por excesso de aplicação da racionalidade parcial, acabemos numa linha de irracionalidade global suicida"(Forum, junho 2009 p.19). Já afirmei neste espaço que a cultura do capital tem uma tendência auto-suicida. Prefere morrer a mudar, arrastando outros consigo.

Os formuladores da visão sistêmica chamam a este fenômeno de extrapolação e colapso. Quer dizer, extrapolamos os limites e rumamos para um colapso.

Serei pessimista? Respondo com José Saramango: "não sou pessimista, a realidade é que é péssima". Efetivamente, ou abandonamos o barco do desenvolvimento insustentável na direção daquilo que a Carta da Terra chama de "modo sustentável de viver" e os andinos de "bem viver" ou então aceitaremos o risco de sermos despedidos deste planeta.

Mas como o universo é feito de virtualidades ainda não ensaiadas, esperamos que surja uma que nos salve a todos.

Leonardo Boff é autor de Opção-Terra. A solução da Terra não cai do céu, Record 2009.






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sexta-feira, 17 de julho de 2009

A falta que faz ao Papa um pouco de marxismo‏

Leonardo Boff

Teólogo

A nova encíclia de Bento XVI Caritas in Veritate de 7 de julho último é uma tomada de posição da Igreja face à crise atual. O complexo das crises que atingem a humanidade e que comportam ameças severas sobre o sistema da vida e seu futuro demandaria um texto profético, carregado de urgência. Mas não é isso que recebemos senão uma longa e detalhada reflexão sobre a maioria dos problemas atuais que vão da crise econômica ao turismo, da biotecnologia à crise ambiental e projeções sobre um Governo mundial da Globalização. O gênero não é profético, o que suporia“uma análise concreta de uma situação concreta”. Esta possibilitaria investir contra os problemas em tela na forma de denúncia-anúncio. Mas não é da natureza deste Papa ser profeta. Ele é um doutor e um mestre. Elabora o discurso oficial do Magistério, cuja perspectica não é de baixo, da vida real e conflitiva, mas de cima, da doutrina ortodoxa que esfuma as contradições e minimaliza os conflitos. A tônica dominante não é a da análise, mas da ética, do dever-ser.

Como não faz análise da realidade atual, extremamente complexa, o discurso magisterial permance principista, equilibrista e se define por sua indefinição. O subexto do texto, ou o não-dito no dito, remete a uma inocência teórica que inconscientemente assume a ideologia funcional da sociedade dominante. Já se nota na abordagem do tema central – o desenvolvimento – hoje tão criticado por não tomar em conta os limites ecológicos da Terra. Disso a encíclica não fala nada. A visão é de que o sistema mundial se apresenta fundamentalmente correto. O que existe são disfunções e não contradições. Esse diagnóstico sugere a seguinte terapia, semelhante a do G-20: retificações e não mudanças, melhorias e não troca de paradigma, reformas e não libertações. É o imperativo do mestre: “correção”, não a do profeta:”conversão”.

Ao lermos o texto, longo e pesado, terminamos por pensar: como faria bem ao atual Papa um pouco de marxismo! Este, a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado. Isso caberia ao Papa profeticamente denunciar. Mas não o faz. O texto do Magistério, olimpicamente fora e acima da situação conflitiva atual, não é ideologicamente “neutro”como pretende. É um discurso reprodutor do sistema imperante que faz sofrer a todos especialmente os pobres. Isso não é questão de Bento XVI querer ou não querer mas da lógica estrutural de seu tipo de discurso magisterial. Por renunciar a uma análise critica séria, paga um preço alto em ineficácia teórica e prática. Não inova, repete.

E ai perde uma enorme oportunidade de se dirigir à humanidade num momento dramático da história, a partir do capital simbólico de transfomação e de esperança, contido na mensagem cristã. Esse Papa não valoriza o novo céu e a nova Terra, que podem ser antecipados pelas práticas humanas, apenas conhece essa vida decadente e, por si mesma insustentável (seu pessimismo cultural) e a vida eterna e o céu que ainda virão. Afasta-se assim da grande mensagem bíblica que possui consequências políticas revolucionárias ao afirmar que a utopia terminal do Reino da justiça, do amor e da liberdade só será real na medida em que se construirem e anteciparem, nos limites do espaço e do tempo histórico, tais bens entre nós.

Curiosamente, abstraindo de laivos fideistas recorrentes (“só através da caridade cristã é possviel o desenvolvimento integral”), quando se “esquece” do tom magisterial, na parte final da encíclica, introduz coisas sensatas como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo e a inclusão relacional da família humana. Parafraseando Nietzsche:”quanto de análise crítica o Magistério da Igreja é capaz de incorporar”?

Leonardo Boff é autor de Igreja:carisma e poder, Record 2005.

A falta que faz ao Papa um pouco de marxismo


Leonardo Boff
Teólogo
    
                           
 A nova encíclia de Bento XVI Caritas in Veritate de 7 de julho último é uma tomada de posição da Igreja face à crise atual. O complexo das crises que atingem a humanidade e que comportam ameças severas sobre o sistema da vida e seu futuro demandaria um texto profético, carregado de urgência. Mas não é isso que recebemos senão uma longa e detalhada reflexão sobre a maioria dos problemas atuais que vão da crise econômica ao turismo, da biotecnologia à crise ambiental e projeções sobre um Governo mundial da Globalização. O gênero não é profético, o que suporia"uma análise concreta de uma situação concreta". Esta possibilitaria investir contra os problemas em tela na forma de denúncia-anúncio. Mas não é da natureza deste Papa ser profeta. Ele é um doutor e um mestre. Elabora o discurso oficial do Magistério, cuja perspectica não é de baixo, da vida real e conflitiva, mas de cima, da doutrina ortodoxa que esfuma as contradições e minimaliza os conflitos. A tônica dominante não é a da análise, mas da ética, do dever-ser.

Como não faz análise da realidade atual, extremamente complexa, o discurso magisterial permance principista, equilibrista e se define por sua indefinição. O subexto do texto, ou o não-dito no dito, remete a uma inocência teórica que inconscientemente assume a ideologia funcional da sociedade dominante. Já se nota na abordagem do tema central – o desenvolvimento – hoje tão criticado por não tomar em conta os limites ecológicos da Terra. Disso a encíclica não fala nada. A visão é de que o sistema mundial se apresenta fundamentalmente correto. O que existe são disfunções e não contradições. Esse diagnóstico sugere a seguinte terapia, semelhante a do G-20: retificações e não mudanças, melhorias e não troca de paradigma, reformas e não libertações. É o imperativo do mestre: "correção", não a do profeta:"conversão".

Ao lermos o texto, longo e pesado, terminamos por pensar: como faria bem ao atual Papa um pouco de marxismo! Este, a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado. Isso caberia ao Papa profeticamente denunciar. Mas não o faz.
 O texto do Magistério, olimpicamente fora e acima da situação conflitiva atual, não é ideologicamente "neutro"como pretende. É um discurso reprodutor do sistema imperante que faz sofrer a todos especialmente os pobres. Isso não é questão de Bento XVI querer ou não querer mas da lógica estrutural de seu tipo de discurso magisterial. Por renunciar a uma análise critica séria, paga um preço alto em ineficácia teórica e prática. Não inova, repete.

E ai perde uma enorme oportunidade de se dirigir à humanidade num momento dramático da história, a partir do capital simbólico de transfomação e de esperança, contido na mensagem cristã. Esse Papa não valoriza o novo céu e a nova Terra, que podem ser antecipados pelas práticas humanas, apenas conhece essa vida decadente e, por si mesma insustentável (seu pessimismo cultural) e a vida eterna e o céu que ainda virão. Afasta-se assim da grande mensagem bíblica que possui consequências políticas revolucionárias ao afirmar que a utopia terminal do Reino da justiça, do amor e da liberdade só será real na medida em que se construirem e anteciparem, nos limites do espaço e do tempo histórico, tais bens entre nós.

Curiosamente, abstraindo de laivos fideistas recorrentes (" através da caridade cristã é possviel o desenvolvimento integral"), quando se "esquece" do tom magisterial, na parte final da encíclica, introduz coisas sensatas como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo  e a inclusão relacional da família humana.
 Parafraseando Nietzsche:"quanto de análise crítica o Magistério da Igreja é capaz de incorporar"?

Leonardo Boff é autor de Igreja:carisma e poder, Record 2005.




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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Fórum Social de Mallorca






"Fòrum Social de Mallorca" http://www.forumsocialdemallorca.org/spip.php?article344 sobre el proximo encuentro en España del primer foro ético según las bases del Foro Social Mundial http://www.forosocialte2009.org/ Será en la ciudad de Sevilla los dias 10 -12 de octubre de 2009. Saludos. Guiem









FORO SOCIAL TEMÁTICO ESPAÑOL de


ESPIRITUALIDADES y ÉTICAS PARA OTRO MUNDO MEJOR POSIBLE


—Sevilla, 10, 11 y 12 octubre de 2009—




"Por la construcción de un mundo de paz, justicia, ética y respeto de las diversas espiritualidades, libre de armas..." (Objetivos del Foro Social Mundial de Belem , Amazonia-Brasil en Enero 2009)


"Para que desaparezca el hambre hace falta una revolución espiritual" (Federico Garcia Lorca)


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Por qué un Foro Social. El Foro de Espiritualidades y Éticas se enmarca dentro del espíritu del Foro Social Mundial (FSM), y es la respuesta participativa de la sociedad civil española a la necesidad, siempre pendiente, de una autentica transformación social alternativa y, mas específicamente, a la actual crisis sistémica donde aspiramos a debatir y alumbrar los principios y valores sobre los que poder construir otro mundo mejor, necesario, urgente y posible. Aspiramos a ofrecer una alternativa democrática, inclusiva, ecológica, basada en la igualdad, defensa de los derechos humanos, convivencia pacífica y respeto a la rica diversidad de culturas y creencias de una única humanidad desde la sociedad civil a los acuciantes problemas que enfrenta la humanidad.



Por qué de Espiritualidades Éticas. Vivimos un tiempo en el que cada día se consiguen nuevos avances científicos y tecnológicos. Cruzamos fronteras en el conocimiento que significan un gran poder. Pero todo gran poder necesita un fuerte espíritu que lo controle y gestione. Tenemos un superdesarrollo científico y tecnológico junto a un subdesarrollo ético, social y político que provoca una insoportable desigualdad, injusticia social, y violencia. Vivimos el comienzo de un trascendental proceso histórico de rápidos y profundos cambios que nos obligan a recuperar el equilibrio y la armonía entre la naturaleza, la humanidad y las personas, mediante la unidad de la humanidad y la constitución de un Gobierno mundial democrático, legítimo y transparente. El actual sistema se basa en el egoísmo, avaricia, vanidad y envidia. No se trata de refundar el capitalismo sobre bases éticas porque el capitalismo, en si mismo, es incompatible con la ética. La orientación hacia la unidad, hacia el "alma" común de la humanidad, instaurará las condiciones del "buen vivir", de otro modo de vivir basado en maximizar el bienestar social, la satisfacción de las necesidades humanas con el menor consumo y coste, retornando a la visión de la humanidad como parte y fruto de la propia naturaleza.



Cuál es el objetivo del Foro de Ética y Espiritualidad?. La actual crisis sistémica y civilizatoria (de valores dominantes) nos señala que ha llegado el momento en que todo tiene que cambiar. Desde sus propios cimientos, los valores que conforman el actual sistema. Hablar hoy de valores es preguntarnos qué mundo queremos para nuestros descendientes; qué producimos, con qué lo producimos, para qué y para quienes lo producimos; qué poder, con qué autoridad, reglas e instituciones; qué hay que mantener y qué hay que suprimir del mundo actual. Con la crisis, el miedo y el pánico se enseñorean entre los afectados, y puede arrastrar a lo peor. Nuestro reto hoy es ORGANIZAR LA ESPERANZA recuperando la utopía y comenzando a construir nuestro otro mundo, donde todo ha de cambiar, comenzando por sus cimientos: los valores, la ética, el espíritu que lo anime desde su más profunda esencia. Ese es, en nuestra opinión, el objetivo del Foro Social de Sevilla en octubre. Ese es el objetivo que el FSM ha marcado para el 12 de Octubre día de la Movilización mundial por la defensa de la Madre Tierra, por la descolonización y la desmercantilización de la Vida.



Cuál es su estructura. Se organiza internamente con los siguientes aspectos o partes:



  • Cuatro conferencias con temas de gran actualidad.

  • Una mesa redonda con la opinión de los sectores marginados sobre el otro mundo mejor posible. r.

  • El núcleo más importante del Foro serán los cien talleres en torno a diez ejes o bloques temáticos. tratados desde la dimensión de valores éticos y espirituales para superar este periodo difícil en el que nos adentramos.

  • Dos actividades culturales y concierto musical

  • Once asambleas sobre los diez ejes temáticos y una para infancia y juventud

  • Clausura del Foro y acto público en defensa de la Madre Tierra.





AVANCE DE PROGRAMA


PONENCIAS Lugar: Auditorio: Sala Ándalus y Sala Itálica interconectadas


Sábado 10 Octubre: Conferencias inaugurales"Espiritualidades y éticas par otro mundo mejor posible"


11.00-12.30h Vandana Shiva, India. (Premio Nobel Alternativo de la Paz)
13.15-14.15h Francois Houtart, Bélgica.
(Universidad de Lovaina y Foro de las Alternativas)


16.00–17.30h "El sujeto personal necesario para otro mundo mejor posible" Adela Cortina (Universidad de Valencia)



Domingo 11 Octubre:


10.15-11.15h "El sujeto social necesario para otro mundo mejor posible" Imanol Zubero. (Universidad de Bilbao)


MESA REDONDA Lugar: Auditorio: Sala Ándalus y Sala Itálica interconectadas


Domingo 11 de Octubre


16.30-18.00h "El otro mundo mejor posible visto desde los excluidos, empobrecidos y desempoderados" Sectores representados: * Inmigración * Violencia de género * Sin techo * Gitanos



ACTIVIDADES CULTURALES. Sábado 10 Octubre


19.45-20.30h. Se realizarán algunas actividades de carácter cultural lúdico y celebrativo que se comunicarán oportunamente.

ESPACIOS DE INTERIORIZACIÓN. Domingo 11 de Octubre.
9.00-10.00h Se ofrecerá un espacio para diferentes maneras de interiorización (meditación, música, yoga, expresión corporal,...) Se comunicará todo oportunamente



BLOQUES TEMÁTICOS


1. Éticas, espiritualidades y ecología: Estado de la Tierra, causas de tipo cultural-ético-espiritual, estilos de vida, biodiversidad, policultivos frente a monocultivos (también monocultivos de la mente), familia de la tierra, espiritualidades de vida en defensa de la Tierra, del antropocentrismo al biocentrismo y cosmocentrismo, métodos y medios ecológicos de curación y sanación etc



2. Éticas, espiritualidades y derechos del cosmos, de los seres vivos, de la humanidad y de los seres humanos: La vida (en todas sus dimensiones) como fundamento del derecho, promoción del respeto y defensa de la vida, formas de violencia, negación de derechos civiles y políticos-sociales, económicos y culturales- derechos de los pueblos o de solidaridad, derecho a emigrar, Leyes de extranjería, derechos de la naturaleza y de la vida en general, derecho a una muerte digna etc.



3. Éticas, espiritualidades y Crecimiento - Decrecimiento: La locura del crecimiento, felicidad y riqueza, indicadores alternativos al PIB/PNB, salir de la economía y entrar en la sociedad del decrecimiento, simplicidad y responsabilidad frente a consumismo, las trampas del crecimiento sostenible, sociedades de decrecimiento, justicia global (comercio, deuda, AOD, cooperación internacional etc), etc.



4. Éticas, espiritualidades y Culturas vivas: La diversidad frente a los monocultivos de la mente, el otro/a como ventana al mundo, locales y universales, identidad negativa y conflicto, la identidad de la familia de la tierra, la conformación de la economía por parte de la cultura y viceversa, guerras o diálogos culturales y guerras o diálogos de religión, el imperio y el ocaso de las culturas, las culturas y tradiciones religiosas ante el hecho de la muerte etc .



5. Éticas, espiritualidades y Democracias vivas: Democracia participativa versus democracia representativa, gobernanza, movimientos altermundialización y la construcción de una ciudadanía global, organizando la resistencia, formas de autogobierno y autoorganización, reinventar la ciudadanía, el gobierno, las instituciones y gobernanza mundiales, democracia de la Tierra, Estados y religiones, etc.



6. Éticas, espiritualidades y Género: Género, espiritualidad y religión, visiones androcéntricas versus visiones igualitarias, modelos alternativos, género y globalización, análisis estructural y sistémico de la perspectiva de género (saliendo de los análisis domésticos), percepciones femeninas a la hora de definir los problemas mundiales y aportar soluciones, etc.


7. Éticas, espiritualidadeses, Paz y violencia: Construcción de un mundo de paz, libre de armas, especialmente las nucleares, sin violencia de ningún signo o nivel y en búsqueda permanente de vías de solución pacifica a los conflictos, etc.



8. Éticas, espiritualidades y Educación : Promoción de una educación a todos sus niveles (desde la infancia hasta la tercera edad; formal e informal;…) que haga crecer a personas, colectivos, sociedades y pueblos en la asimilación vital de los valores y de la creatividad necesaria para construir un mundo justo, pacifico, reconciliado, respetuoso con toda vida, en relación armónica con la naturaleza y el cosmos y abierto a todas las dimensiones del ser humano, etc.



9. Éticas, espiritualidades, Interiorización-personalización: Promoción, desde el respeto a la diversidad, de los diferentes caminos de interiorización o personalización (silencio, meditación, contemplación, oración…) individuales o colectivos, de una manera tal que ayuden a una mayor implicación en la transformación social a favor de la justicia, la paz y la integridad de la naturaleza, etc.



10. Espiritualidades y éticas a favor de la paz y la justicia en la actual situación española: (Importante: solo en aquellos aspectos no recogidos en los ejes anteriores)



NOTA: 10 talleres por cada bloque (30 personas por taller)



Metodología: Se realizarán dos sesiones de talleres en la tarde del sábado y en la mañana del domingo, ofreciendo cinco talleres en cada bloque temático, o sea, 50 talleres por sesión. Los talleres de la mañana del domingo se repetirán por la tarde. El total de talleres será, por lo tanto, de 150.








Inscripción (sólo matrícula)= 23 euros


Inscripción (matrícula + 4 comidas) = 58 euros




COMEDOR Las cuatro comidas durante los días del Foro se realizaran en algunos colegios muy cercanos al Palacio de Congresos sobre los que se informará oportunamente. El precio por comida es de 9 euros.



TRANSPORTE


Autobús: Línea 27. Desde Plaza de la Encarnación (centro ciudad). Duración aproximada: 40 minutos


Trenes de cercanía: Directo: Estación de Sta. Justa-Palacio de Congresos Duración: 6 minutos


Circular: desde Estación de Sta. Justa - San Bernardo - Virgen del Rocío - Palmete. Padre Pio - Palacio de Congresos Duración: 17 minutos

Lunes a Viernes: cada 20 minutos. Directo y circular. Desde 5.57 horas a 22.27 horas
Sábados, domingos y festivos: cada media hora. Solo Directo. Desde 6.57 horas a 22.27 horas

Para otras opciones de alojamiento, le rogamos se ponga en contacto con Adriano Congresos a través de e-mail foroste2009@adrianoviajes.com o fax ( 954 216 741) y le ofreceremos la opción que mejor se adecúe a sus necesidades.




COMITÉ ORGANIZADOR 1. Amigos de Ouzal y África. Córdoba - 2. Andalucía Acoge - 3. Asociación Andaluza por la Solidaridad y la Paz, Aspa. Andalucía - 4. Asociación Banca Ética-Fiare-Sur.Oikocredit - 5. Asociación Brahma Kumaris. España - 6. Asociación Crisol. Sevilla - 7. Asociación Cultural Karl Rahner. Granada - 8. Asociación Cultural. Via Libre. Sevilla - 9. Asociación de mujeres ecologistas. Andalucía - 10. Asociación De Mujeres Gitanas Akherdi ? Tromipen. Sevilla 11. Asociación de Psicología Ayurveda de Euskadi - 12. Asociación Digmun. Ceuta - 13. Asociación Gandhiji. España 14. Asociación interreligiosa ?Encuentro de Caminantes?. Gran Canaria - 15. Asociación Interser. (budismo comprometido del maestro zen Thich Nhat Hanh). España - 16. Asociación para la Fijación de Impuestos en las Transacciones Financieras para Ayudar a los Ciudadanos, ATTAC. España - 17. Asociación Zen de Andalucía - 18. Campus de la Paz. Universidad Oberta de Cataluña. Barcelona - 19. Centro Fe-Cultura Loyola. Gran Canaria - 20. Cias (Coordinadora del trabajo social de la Compañía de Jesús en España) - 21. Circulo Sierpes. Sevilla - 22. Colectivo de emigrantes Culturas del Mundo. Sevilla - 23. Comités de Solidaridad Oscar Romero. España - 24. Comunidad Bahai . Andalucía - 25. Confederación Española de Religiosos, CONFER. España - 26. Espacio de Salud Integral. Sevilla - 27. Asociación en Defensa de la Sanidad Pública. ADSP - 28. Federación empresarial andaluza de sociedades laborales, FEANSAL - 29. Fondo Andaluz de Municipios por la Solidaridad Internacional, FAMSI - 30. Foro Social de Gran Canaria - 31. Fundación Ramos de Castro para el estudio y promoción del Hombre. Zamora. - 32. Fundación ?La paz es posible?. España - 33. Fundación Europea para la cooperación Norte-Sur, FECONS, Andalucía - 34. Fundación Zendo Betania. España - 35. Grupo Dojo Zen. Sevilla - 36. Iniciativa Cambio Personal, Justicia Global. España - 37. Junta Islámica. España 38. Justicia y Paz. España - 39. Misión Obrera. Compañía de Jesús. España - 40. Movimiento interreligioso de Sevilla, MIS. Sevilla - 41. Mujeres Progresistas - 42. Mundo sin guerras. España 43. Observatorio Internacional de Ciudadanía y Medio Ambiente Sostenible, CIMAS - 44. Promoción Claretiana para el Desarrollo- Bética (Proclade Bética). - 45. Sindicato Obrero del Campo, SOC. Andalucía 46. Somosuno, Murcia - 47. Universidad Hispalense. Sevilla - 48. Universidad Pablo de Olavide. Sevilla



COLABORADORES – 1. Accorema. Burgos – 2 Amigues i amics de la UNESCO de Tortosa" Unesco Tortosa. – 3 Alianza Andaluza contra la Pobreza – 4 Asociación CIC Bata.Màlaga – 5 Asociación Cultural Arias Montano. Sevilla. – 6 Asociación Cultural Prembodhi Yoga Sevilla – 7 Asociación de Amigos de África. Andalucía. – 8 Asociación de teología feminista Effeta. España – 9 Asociación Ecuménica Internacional. España – 10 Asociación Elin. Andalucía y Ceuta. 11 Asociación Gune. Zumaia-Pais Vasco. – 12 Asociación Madre Coraje. . 13 Asociación Morejona templo Zen. Morón de la Frontera. Sevilla - 14 Asociación Nacional de Educación Prenatal, ANEP. – 15 Asociación Patio de las Culturas. Canarias. - 16 Asociación Unesco para el Diálogo Interreligioso e Intercultural en Màlaga. – 17 Asociación Universitaria de estudios de las mujeres Ateneo Popular de Sevilla. – 18 Atzavara-arrels" (Asociació per la cooperació entre cultures i la inserció de persones en risc de exclusió). Tortosa.. – 19 Audir (Asociación Unesco para el dialogo interreligioso). Barcelona 20 . Blog Espiritualidad y Política. – 21 .Centro Arrupe de Sevilla . – 22 Centro Laza. Tudela. – 23. Círculo Niguma. Escuela Kagyu de budismo tibetano. España. - 24 Comisiones Obreras CCOO. – 25 Comunidad Budista Laica Soga Gakkai España. – 26 Desde Fuera del Armario Diáspora. Huelva . – 27 Fisc Fundación Internacional de Solidaridad Compañía de María. Andalucía. – 28 Foro Espiritual de Estella. Navarra. – 29 Foro Humano "Alianza para la nueva humanidad". – 30 Foro Social del Puerto de Santa María. – 31 Fundación Illary. Madrid 32 Fundación Valores. España. – 33 Grupo de Acogida de Taizé. Sevilla. – 34 Grupo de investigación "Escritoras y escritura" de la Junta de Andalucia. – 35 Hermandad Obrera de Acción Católica, HOAC.Sevilla. – 36 Iniciativa Carta de la Tierra. 37 Intermón Oxfam. Andalucía y Canarias. – 38 Mesa Interreligiosa de Alicante, MIA. – 39 Ojo Fotográfico. Barcelona. - 40 Ongd Solidaridad don Bosco. Andalucía.- 41 Pagan Federatió International España. - 42 PRODENI (Asociación pro derechos del niño y de la niña). España. – 43 Proyecto Honduras. Sevilla. – 44 Revista Alandar. Madrid.- 45 Sahaya Yoga. España..- 46 Seminario Galego de Educación a paz. Galicia. – 47 Sevilla Acoge. – 48 Sociedad Española de Evaluación de Políticas Públicas, SEE. – 49 Unión General de Trabajadores UGT. – 50 Universidad de Cádiz.



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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Discurso final do Presidente da Assembléia Geral da ONU

PALABRAS DEL PRESIDENTE DE LA ASAMBLEA GENERAL DE LAS NACIONES UNIDAS, MIGUEL D’ESCOTO BROCKMANN, A LA ADOPCION DEL “OUTCOME DOCUMENT” DE LA CONFERENCIA INTERNACIONAL DE NACIONES UNIDAS SOBRE LA CRISIS FINANCIERA Y ECONOMICA MUNDIAL Y SU IMPACTO SOBRE EL DESARROLLO NUEVA YORK 26 DE JUNIO 2009

Excelencias, Colegas de las Naciones Unidas, Representantes de la Sociedad Civil, Hermanas y hermanos todos,

Hemos llegado a la mitad del tercer día de esta histórica conferencía de las Naciones Unidas sobre la Crisis Financiera y Económica Mundial y su impacto sobre el desarrollo. Los felicito a todos por haber tan exitosamente iniciado la conversación global sobre la crisis económica que aún sigue desarrollándose y también por haber dado inicio a una profunda y sin precedente revisión de la arquitectura financiera y económica internacional. El mundo ha tenido la oportunidad de escuchar las voces del G192. Todos los miembros de la Asamblea General han tenido y siguen teniendo la oportunidad de expresar sus puntos de vista. Hoy nuestros esfuerzos han sido coronados con la adopción por consenso de un “outcome document” que representa el primer paso dentro de lo que será un largo proceso para poner al mundo en un nuevo camino hacia la SOLIDARIDAD, estabilidad y sostenibilidad. La Asamblea General de las Naciones Unidas, el G-192, ya ha quedado establecida como el foro propicio para discutir asuntos de las finanzas y economía mundial, ésto en si ya es un gran logro. Además, se ha pedido a la Asamblea General dar seguimiento a estos temas atravez de un grupo de trabajo especial de composición abierta. Los temas para seguimiento abarcan desde la mitigación de la crisis, incluyendo los temas de Estímulos Globales, Derechos Especiales de Giro (DEGs) y Monedas de Reservas, hasta temas sobre la reestructuración de los sistemas y arquitectura financieros y económicos, incluyendo la reforma de las instituciones financieras internacionales y el rol de las Naciones Unidas, deuda externa, comercio internacional, inversiones, impuestos, asistencia para el desarrollo, la Cooperación Sur-Sur, nuevas formas de financiamiento, corrupción y flujos financieros ilícitos, regulación y supervisión. Se reconoce, a la vez que la crisis financiera y económica no debería retrasar la necesaria respuesta mundial al cambio climático y la degradación del medio ambiente a través de iniciativas para lograr una “economía verde.” El G-192 se ha probado capaz de acordar, por consenso, la realización de esta Conferencia, sus modalidades y un documento final sustantivo sobre temas de gran relevancia para la humanidad. Ha sido, además, capaz de definir un camino a seguir para llevar adelante el proceso a partir de las Líneas de Acción del Documento Final de esta Conferencia. Han sido 3 días muy exitosos de trabajo y, ahora que ya ha sido aprobado formalmente el documento final, debemos de congratularnos todos y felicitar muy especialmente a nuestros cofacilitadores los Embajadores Frank Mayoor de El Reino de los Países Bajos y el Embajador Camilo Gonsalves de San Vicente y las Granadines. Por supuesto que expresamos también nuestro mas sentido agradecimiento a la Comisión Presidencial de Expertos tan hábilmente coordinando por el Profesor Joseph Stiglitz. Estamos felices pero no contentos, o mejor dicho, no totalmente satisfechos. Hay otras crisis que se vislumbran en el horizonte, como la del agua potable, la del calentamiento global, la alimentaría, la energética y la humanitaria de los millones de hermanos y hermanas, especialmente de los más pequeños que pasan hambre y tienen sed. Esas crisis tenemos que afrontarlas todos juntos. Nuestras propuestas de hoy apuntan en esa dirección. Pero aún queda mucho por hacer. 2 Estamos felices por las manifestaciones de voluntad política de asumir nuestra común responsabilidad de cooperar, pero no estamos contentos mientras estas cuestiones acuciantes no se hayan resuelto. Mi función, como Presidente de esta Asamblea General, donde se reúnen representantes de todos los pueblos de la Tierra, es invitarles a mirar lejos, a ir más allá de la economía, a mirar con esperanza el futuro común de la Tierra y de la Humanidad. Cabe entonces preguntarnos ¿Cuál es el próximo paso? No necesariamente el próximo paso de la economía sino de la humanidad. ¿Hacia dónde vamos? Probablemente ningún sabio en este momento, nos sepa responder ésto con certeza. Pero si no sabemos, podemos todos juntos buscar y forjar los consensos que nos puedan conducir hacia un escenario esperanzador para todos y para la Madre Tierra. En este contexto me viene a la mente la visión de un gran científico, arqueólogo, que era a la vez un místico, el francés, Piere Teilhard de Chardin. Desde China en donde él hacia sus investigaciones sobre el “homopekinensis” tuvo una especie de visión. Mirando los avances tecnológicos, comerciales y de las comunicaciones que reducían distancias y ponían las bases de lo que él prefería llamar mundialización, en vez de globalización, Teilhard de Chardin decía,ya en los años 30 del siglo pasado: estamos asistiendo a la emergencia de una nueva era para la Tierra y la humanidad. Va a irrumpir, nos decia de Chardin, la Noosfera, después de haber irrumpido en el proceso evolutivo la antropósfera, la biósfera, la hidrósfera, la atmósfera y la litósfera. Ahora es la nueva esfera, la esfera de las mentes y de los corazones sincronizados: la noósfera. Como saben noos (nus) en griego significa el espíritu y la mente unidos al corazón. ¿Hacia dónde vamos? Me permito creer y esperar que vamos todos a asistir a la lenta pero irrefrenable irrupción de la noósfera. Los seres humanos y los pueblos van a descubrirse y aceptarse como hermanos y hermanas, como familia y como una especie única, capaz de amar, de ser solidaria, compasiva, no violenta, justa, fraterna, pacífica y espiritual. 3 ¿Es una utopía? Si, una utopía, pero una utopía necesaria. Ella nos orienta en nuestras búsquedas. La utopía es, por su naturaleza, inalcanzable. Pero es como las estrellas: son inalcanzables. ¿Pero qué serian nuestras noches sin las estrellas? Serian pura oscuridad y estaríamos sin rumbo y perdidos. Por eso la utopía nos da dirección y sentido de vivir y de luchar. La noósfera es pues el nuevo paso para la Humanidad. Permítanme una pequeña digresión: Si en los tiempos de los dinosaurios que vivieron mas de cien millones de años sobre la tierra y que desaparecieron hace unos 65 millones de años, un observador hipotético se hubiera preguntado cuál sería el siguiente paso en la evolución, probablemente hubiera pensado: más de lo mismo. Es decir, dinos aún más grande y más voraces. Pero con esa respuesta se hubiera equivocado. Este hipotético observador jamás hubiera imaginado que un pequeño mamífero no más grande que un conejo, que vivía en las cimas de los árboles, alimentándose de flores y retoños, temblando de miedo ante la posibilidad de ser devorado por algún dinosaurio, llegaría a ser nuestro ancestro. De él, millones de años después, irrumpió algo absolutamente nuevo, con cualidades totalmente diferentes de las de los dinosaurios, un ser portador de conciencia, de inteligencia y de amor: el ser humano, y nosotros que estamos aquí reunidos somos sus descendientes. Por lo tanto, no fue más de lo mismo. Fue una ruptura, fue un nuevo paso. Creo firmemente que hoy otra vez estamos de cara a un nuevo paso en el proceso evolutivo: el paso hacia una humanidad unida entre sí, unida con la naturaleza, unificada con la Madre Tierra. Casi me atrevo a repetir: “I have dream!” Si, efectivamente, es un sueño. Un sueño grandioso, bueno y feliz. El paso nuevo tendrá como contenidos principales: la vida en todas sus formas, la Humanidad con todos sus pueblos y etnias, la Tierra como Madre con toda su vitalidad y la economía creando las condiciones materiales para que todo eso se haga posible. Vamos a necesitar del capital material acumulado pero el acento será sobre el capital humano y espiritual cuyos frutos mejores son fraternidad o hermandad, cooperación, solidaridad, amorización, justicia económica y ecológica, compasión y capacidad de vivir alegremente con todas las diferencias, en la misma Casa Común, la grande y generosa Madre Tierra. Dicen por ahí que Jesús, Buda, Francisco de Asís, Rumí, Tolstoy, Gandhi, Dorothy Day y Martin Luther King y tantos otros grandes profetas y maestros del pasado y del presente, cada país y cultura con los suyos, habrían ya anticipadamente dado este paso nuevo. Todos ellos son nuestros maestros seminales, nuestras estrellas guía, que alimentan en nosotros el principio de esperanza que nos garantiza de que aún tenemos futuro, un futuro bienaventurado para todos. Como ha dicho muy bien nuestro querido hermano Joseph Stiglitz: “El legado de la actual crisis económica y financiera será una batalla de alcance global en torno a las ideas”. Yo firmemente creo que serán nuevas ideas, nuevas visiones y nuevos sueños los que galvanizaran nuestros espíritus y nuestros corazones. Los viejos dioses están agonizando, los nuevos están naciendo con el vigor de un recién nacido. Mis reflexiones quieren aportar energía y entusiasmo para esa batalla de ideas y de visiones. Para poder dar el salto cualitativo hacia adelante los humanos debemos desistir de nuestro empecinamiento en creernos dueños y señores de la creación, propietarios, olvidando que solo somos mayordomos – que, por lo demás – ya es ser mucho. Solo cuando aceptamos que somos tutores y no dueños y que un día tendremos que rendir cuenta de nuestra tutoría (stewardship), solo entonces resplandecerá la grandeza de nuestra humanidad. Muchas gracias.

La actual crisis financeiray economica mundial a la uz del bien comúm de la tierra y de la humanidad

Palabras de Miguel d’Escoto Brockmann, Presidente de la Asamblea General de las Naciones Unidas, al iniciarse la Conferencia de Alto Nivel sobre la Crisis Financiera y Económica Mundial y Su Impacto Sobre el Desarrollo. Junio 24-26, 2009

Muy queridos PresidentesPrimeros MinistrosAltezas RealesCancilleres Excelencias

Señor Secretario GeneralHermanas y hermanos todos: Estamos todos aquí reunidos, los representantes de los Estados y de los gobiernos del mundo porque vivimos un momento singularísimo de la historia humana, en el cual está en juego nuestro futuro común. Somos ciudadanos de diferentes naciones y al mismo tiempo somos ciudadanos planetarios, viviendo relaciones múltiples de interdependencia de todos con todos.Una arca de Noé que salve a todos.

En este momento crítico debemos todos sumar esfuerzos para evitar que la crisis global, con sus muchos y diferentes rostros, se transforme en una tragedia socioambiental y humanitaria,
Los retos de las diferentes crisis están todos interconectados y nos obligan a nosotros, representantes de los pueblos de la Tierra, que proclamemos nuestra responsabilidad unos hacia los otros y juntos, con gran esperanza, busquemos soluciones incluyentes. Ningún mejor lugar que esta sala de la Asamblea General de las Naciones Unidas para hacerlo. Esta es por antonomasia la sala de la inclusividad democrática mundial, Sede del G192. Obviamente que cada Estado tiene la opción de definir su nivel de participación, de conformidad con la importancia que le asigne al tema de cada reunión. No es humano ni responsable construir una Arca de Noé que salve solamente al sistema económico imperante dejando la gran mayoría de la humanidad a su propia suerte, sufriendo las nefastas consecuencias de un sistema impuesto por una irresponsable, aunque poderosa minoría. Tenemos que forjar colectivamente un conjunto de decisiones que atiendan, lo más posible, a todos, incluyendo la gran comunidad de vida y la Casa Común, la Madre Tierra. Superar el pasado y construir el futuroAntes que nada, necesitamos superar un pasado agobiante y forjar un futuro esperazador. Hay que reconocer que la actual crisis económico-financiera es el último resultado de un modo egoísta e irresponsable de vivir, de producir, de consumir, de establecer relaciones entre nosotros y con la naturaleza que implicó una sistemática agresión a la Tierra y a sus ecosistemas y una profunda disimetría social, una expresión analítica que disimula una perversa injusticia social planetaria. A mi juicio, hemos llegado a la última frontera. El camino hasta ahora recorrido, parece haberse cerrado y, de continuar así, puede llevarnos al mismo destino ya anticipado por los dinosaurios. Por eso, los controles y las correcciones del modelo vigente, sin duda, necesarios, son a mediano y a largo plazo, insuficientes. Su fuerza interna para hacer frente a la crisis global se muestra extremamente débil. Quedarse en solo controles y correcciones del modelo demostraría una cruel falta de sensibilidad social, de imaginación y de compromiso con la creación de una paz justa y duradera. El egoísmo y la codicia no se pueden remendar. Tienen que ser sustituidos por la solidaridad y eso, obviamente, implica un cambio radical. Si realmente lo que queremos es una paz estable y duradera, debemos estar absolutamente claros que debemos ir más allá de controles y correcciones del modelo existente y crear algo que apunte hacia un nuevo paradigma de convivencia social. En esta perspectiva, es imperativo buscar lo que la Carta de la Tierra llama un “modo sostenible de vivir”. Esto implica una visión compartida de valores y de principios que propicien una forma distinta de habitar este mundo y que garantizen el buen vivir de las presentes y de las futuras generaciones. Si grande es el peligro que todos enfrentamos ante los diversos problemas convergentes, mas grande es todavía la oportunidad de salvación que la crisis mundial nos está ayudando u obligando a descubrir. Hemos construido una economía globalizada. Ahora es el momento de crear una política y una ética globalizadas a partir de las muchas experiencias y tradiciones culturales de los diferentes pueblos. La Madre Tierra y la Ética planetariaUna ética nueva presupone una óptica nueva. Es decir, una visión del mundo diferente origina también una ética diferente, una forma nueva de interrelacionarnos. Hay que incorporar la óptica que nos viene de las así llamadas ciencias de la Tierra según las cuales la Tierra está insertada dentro de un vasto y complejo cosmos en evolución. Ella está viva, es la Madre Tierra, expresión aprobada por esta Asamblea en el pasado 22 de abril. La Madre Tierra se auto regula, articulando, con un equilíbrio sutil, lo físico, lo químico y lo biológico de tal forma que se hace siempre propicia a la vida. Ella produjo una comunidad de vida única dentro de la cual emergió la comunidad de la vida humana – la Humanidad - como la parte consciente e inteligente de la misma Tierra. Esta concepción contemporánea se compagina con la ancestral visión de la Humanidad y de los pueblos originarios para los cuales la Tierra siempre fue y es venerada como Madre, Magna Mater, Inana, Tonantzín, como la llamaban los náhuatl en mi patria Nicaragua, y Pacha Mama, como la llaman los aymaras en Bolivia. Crece más y más la conciencia de que todos somos hijos e hijas de la Tierra y a ella pertenecemos. Tal como nos ha recordado muchas veces el Presidente Evo Morales, ella puede vivir sin nosotros, pero nosotros no podemos vivir sin ella. Nuestra misión como humanos es la de ser los guardianes y los cuidadores de la vitalidad y de la integridad de la Madre Tierra. Lamentablemente, a raíz de nuestro excesivo consumo y despilfarro, la Tierra ha ultrapasado ya en 40% su capacidad de reposición de los bienes y servicios que generosamente nos ofrece. Esta visión de la Tierra viva es testimoniada por los astronautas que desde sus naves espaciales confesaron, admirados, que Tierra y Humanidad constituyen una única realidad. Vivenciaron lo que se llamó el “Overview Effect”, es decir, la percepción de que estamos tan unidos a la Tierra que nosotros mismos somos Tierra: Tierra que siente, que piensa, que ama y que venera. Esa óptica nos evoca respeto, veneración, sentimiento de responsabilidad y de cuidado por nuestra Casa Común, actitudes extremamente urgentes de cara a la actual degradación generalizada de la naturaleza. De esta nueva óptica nace una nueva ética. Una nueva forma de interrelacionarnos con todos los que viven en nuestra morada humana y con la naturaleza circundante. Hoy la ética o será planetaria o no será ética. Puntos axiales de una ética del Bien ComúnLa primera afirmación de esta ética planetaria consiste en proclamar y salvaguardar el Bien Común de la Tierra y de la Humanidad. Partimos del presupuesto de que la comunidad de pueblos es simultáneamente una comunidad de bienes comunes. Estes no pueden ser apropiados privadamente por nadie y deben servir a la vida de todos, de las presentes y de las futuras generaciones y de la comunidad de los demás seres vivientes. El Bien Común de la Humanidad y de la Tierra tiene las características de universalidad y de gratuidad. Es decir, tiene que involucrar universalmente a todas las personas, los pueblos y la comunidad de vida. De este Bien Común Mundial nadie y ningún ser pude ser excluido. Además, por su naturaleza, es algo gratuitamente ofrecido a todos por que no es objeto de compra o venta ni está bajo la lógica de la competencia. Por otra parte, debe ser continuamente construido por todos sin lo que el Bien Común deje de ser común. Cuales son los bienes fundamentales que constituyen el Bien Común de la Humanidad y de la Tierra? El primero es, sin duda, la propia Tierra. A quien pertenece la Tierra?. La Tierra pertenece, no a los poderosos que se apropiaron de sus bienes y servicios, sino al conjunto de los ecosistemas que la componen. Es un don del universo que surgió en nuestra Via Lactea a partir de un sol ancestral ya desaparecido que originó el sol actual alrededor del cual la Tierra gira como uno de sus planetas. Por el hecho de ser viva y generadora de todos los seres vivientes, tiene dignidad (dignitas Terra). Esta dignidad reclama respeto y veneración y hace que ella sea portadora de derechos: derecho de ser cuidada, protegida y mantenida en condiciones de poder continuar produciendo y reproduciendo vidas. Tenemos todavía que reconocer que el modo de producción que se globalizó en su voracidad industrialista ha en gran medida devastado la Tierra y, así mismo, dañado también el Bien Común de la Tierra y de la Humanidad. Es urgente que busquemos otros caminos más humanos y más favorables a la vida: los caminos de la justicia y de la solidaridad que son los caminos que conducen a la paz y a la felicidad. En seguida es la biosfera de la Tierra un patrimonio común de toda la vida de la cual la Humanidad es su tutora. Pertenecen al Bien Común de la Humanidad y de la Tierra, como decía ya en 1972 la Conferencia de la ONU sobre Medio Ambiente, “todos los recursos naturales de la Tierra, incluyendo el aire, los suelos, la flora, la fauna y en especial las muestras representativas de los ecosistemas naturales”. Especialmente el agua, los océanos y los bosques pertenecen al Bien Común de la Humanidad y de la Tierra. El agua es un bien natural, común, esencial y insubstituible y todos tienen derecho al acceso a ella, independiente de los costos implicados en su captación, reserva, purificación y distribución que serán asumidos por el poder público y por la sociedad. Por eso, nos preocupa enormemente el afán de privatizarla y transformarla en mercancía con la cual, sin duda, se puede ganar mucho dinero. Agua es vida y la vida es sagrada y no objeto de trueques. Esta Asamblea quiere apoyar los esfuerzos para llegar a un Pacto Internacional del Agua con una gestión colectiva para garantizar a todos este bien tan vital. Algo semejante hay que decir de los bosques especialmente los tropicales y subtropicales, en donde se encuentra la mayor biodiversidad y concentración de humedad necesaria a la vitalidad de la Tierra. Son los bosques los que impiden que los cambios climáticos inviabilicen la vida en el planeta, por que son los grandes secuestradores de dióxido de carbono. Sin bosques no hay vida ni biodiversidad. Los océanos son los grandes repositorios de vida, los reguladores de los climas, los equilibradores de la base física y química de la Tierra. Bosques y océanos constituyen una cuestión vital y no sólo ambiental. Los climas de la Tierra pertenecen al Bien Común de la Humanidad y de la Tierra. La resolución 43/53 de 6 de diciembre de 1988 de la Asamblea General de la ONU sobre “Protección del Clima Global para las Generaciones Presentes y Futuras” reconoce los climas como Patrimonio Común de la Humanidad (Common Concern of Humankind) por que “son una condición esencial de la manutención de la vida en la Tierra”. El IPPC (Panel Intergubernamental sobre los Cambios Climáticos) considera “los cambios climáticos una preocupación común de la Humanidad y que debe ser tratada globalmente con una responsabilidad compartida”. Pero el gran Bien Común de la Humanidad y de la Tierra es la misma Humanidad como un todo. Tiene un valor intrínseco supremo y representa un fin en si mismo. Es parte del reino de la vida, altamente compleja, capaz de conciencia, sensibilidad, inteligencia, fantasía creadora, amor y apertura al Todo. Hay en todas las culturas la clara percepción de que la Humanidad es portadora de una inviolable dignidad. Cometen crimen contra la Humanidad los que hacen guerras y construyen una maquina de muerte que puede eliminar de la faz de la Tierra la vida humana y dañar profundamente la biosfera. Por eso, mis queridos hermanos y hermanas, ya no debemos esperar. Es imprescindible proceder cuanto antes a la abolición de armas nucleares por completo, no simplemente reducción o no proliferación. Urge establecer la norma de cero tolerancia para armas nucleares, para todos en general sin excepciones. Un encuentro de todos los poseedores de armas nucleares para tomar decisiones sobre ésto es ya algo inaplazable. Este es un momento propicio que no se debe desaprovechar. El mundo tampoco puede seguir tolerando la obscenidad de los cada vez mas astronómicos gestos en armamentos mientras se ofrecen irrisorias cantidades para sacar a la mitad de la humanidad de niveles de pobreza inexcusables que, además, constituyen una bomba de tiempo contra todos. La violencia genera violencia y mantener a gente en hambre y niveles infrahumanos de existencia es la peor violencia. Estrategias de superación de la crisisEn este momento de la historia bajo la crisis global y a la luz del Bien Común de la Tierra y de la Humanidad se hace necesario tomar colectivamente medidas de corto y mediano plazo. Por una parte, visan mantener la sociedad actual funcionando para evitar un caos socioambiental y por otra, objetivan poner las bases para nuevas formas de vivir sustentablemente. Cinco ejes fundamentales podrían dar coherencia a las nuevas iniciativas que buscan construir alternativas y también orientar numerosas prácticas que serán discutidas en estos días en la Asamblea General Primero: la utilización sostenible y responsable de los escasos recursos naturales. Esto implica superar la lógica de la explotación de la naturaleza y fortalecer la relación de respeto y de sinergia. Segundo: devolver a la economía su debido lugar en el conjunto de la sociedad, superando la visión reduccionista que la hizo el gran eje estructurador de la convivencia humana. La economía debe ser vista como la actividad destinada a crear, dentro del respeto de las normas sociales y ecológicas, las bases de la vida física, cultural y espiritual de todos los seres humanos sobre el planeta. Tercero: generalizar la democracia a todas las relaciones sociales y a todas las instituciones. No solamente aplicarla y profundizarla en el campo político, con una nueva definición del Estado y de los organismos internacionales, sino también ampliarla al área de la economía, de la cultura y de la relación entre hombres y mujeres para que sea un valor universal y verdaderamente una democracia sin fin. Cuarto: forjar un ethos mínimo desde el intercambio multicultural y desde las tradiciones filosóficas y religiosas de los pueblos a fin de que puedan participar en la definición del Bien común de la Humanidad y de la Tierra y en la elaboración de nuevos valores. Quinto: potenciar una visión espiritual del mundo que haga justicia a las búsquedas humanas por un sentido trascendente de la vida, de la labor creativa de los humanos y de nuestro corto pasaje por este pequeño planeta. La concretización de estos cinco ejes fundamentales es esencial para lograr el buen vivir personal, social y planetario. Este se alcanza a través de una economía de lo suficiente y decente para toda la comunidad, viviendo en comunión con los demás seres humanos, con la naturaleza y con el Todo del cual somos parte. Aquí se dan las bases para una biocivilización que tiene como centralidad la vida, la Tierra y la Humanidad, cuyos ciudadanos se sienten hijos y hijas de la alegria y no de la necesidad. Cuatro Principios éticos fundamentalesTodos estos retos no serán adecuadamente respondidos si no cambiamos nuestras mentes y nuestros corazones y no creamos espacio para la emergencia y el desarrollo de otras dimensiones esenciales del ser humano. El uso exclusivo y abusivo de la razón instrumental-analítica en los tiempos modernos nos ha hecho sordos al clamor de la Tierra y insensibles a los gritos de los oprimidos que son las grandes mayorías de la Humanidad. En lo más hondo de nuestra naturaleza humana somos seres de amor, de solidaridad, de compasión y de comunión. Por eso hay que enriquecer la razón analítica con la razón sensible, emocional y cordial, sede de los referidos valores. El Bien Común de la Humanidad y de la Tierra es una realidad dinámica y en continua construcción. Para mantenerlo vivo y abierto a otros desarrollos cuatro principios éticos resultan importantes. El primer principio ético es el respeto. Cada ser tiene valor intrínseco. Su utilización para el Bien de la Humanidad no puede ser orientada por una ética meramente utilitarista, como ha predominado en el paradigma socioeconómico vigente, sino dentro un sentido de mutua pertenencia, de responsabilidad y de conservación de su existencia. El segundo es el cuidado. El cuidado configura una actitud no agresiva ante la realidad, actitud amorosa que repara los daños pasados y previene los futuros y, a la vez, se extiende a todos los campos de la actividad humana personal y social. Si existiera suficiente cuidado, no habríamos llegado a la actual crisis financiera y económica. El cuidado está ligado intrínsecamente a la manutención de la vida, por que sin cuidado ella se debilita y desaparece. La expresión oriental del cuidado se llama compasión, tan necesaria en los días de hoy cuando gran parte de la Humanidad y de la misma Tierra se encuentran crucificadas y mergulladas en un mar de padecimientos. En una sociedad de mercado que se rige más por la competencia que por la cooperación, se constata una cruel falta de compasión con todos los que sufren en la sociedad y en la naturaleza. El tercer principio es la responsabilidad universal. Todos somos ecodependientes e interdependientes. Nuestras acciones pueden ser benéficas o dañinas para la vida y para el Bien Común de la Tierra y de la Humanidad. Las muchas crisis actuales derivan, en gran parte, por la falta de responsabilidad de nuestros proyectos y prácticas colectivas que han provocado el desequilibro global de los mercados y el del sistema-Tierra.

El cuarto principio es la cooperación. Si no hay cooperación entre todos, no vamos a salir enriquecidos de las crisis actuales. La cooperación es tan esencial que fue ella lo que en el pasado permitió a nuestros ancestros antropoides dar el salto de la animalidad a la humanidad. Al buscar sus alimentos, no los comían de forma individual sino que los traían todos para el grupo y de forma cooperativa y solidaria lo compartían entre todos. Lo que fue esencial en el pasado, sigue siendo esencial en el presente. Por fin, pertenece al Bien Común de la Humanidad la creencia testimoniada por las tradiciones espirituales y afirmada por cosmólogos y astrofísicos contemporáneos, de que por detrás de todo el universo, de cada ser, de cada persona, de cada evento y de nuestra crisis actual, actúa la Energía de Fondo, misteriosa y inefable, llamada también Fuente Alimentadora de todo el Ser. Esta energía sin nombre – estamos seguros – actuará también en este momento de caos ayudándonos y empoderándonos para vencer el egoísmo y tomar las medidas necesarias para que este no sea catastrófico sino creativo y generativo de nuevas órdenes de convivencia, de modelos económicos innovadores y de un sentido más alto de vivir y de convivir. Conclusión: no tragedia sino crisisPara terminar, quiero testimoniar mi profunda convicción de que el escenario actual no es de tragedia sino de crisis. La tragedia termina mal con una Tierra devastada pero que puede continuar sin nosotros. La crisis purifica, nos hace madurar y encontrar formas de superación satisfactorias para toda la comunidad de vida, del ser humano y de la Tierra. El actual dolor no es el estertor de un moribundo, sino el dolor de un nuevo parto. Hasta ahora hemos explotado exaustivamente el capital material que es finito, cabe ahora trabajar el capital espiritual que es infinito por que infinita es nuestra capacidad de amar, de convivir hermanamente y de penetrar el los misterios del universo y del corazón humano. Como todos venimos del corazón de las grandes estrellas rojas en las cuales se forjaron los elementos que nos constituyen, está claro que nosotros nacimos para brillar y no para sufrir. E iremos nuevamente a brillar –esta es mi firme esperanza - en una civilización planetaria más respetuosa de la Madre Tierra, mas incluyente de todos, más solidaria a partir de los más desposeídos, más espiritual y llena de reverencia frente al esplendor del universo y mucho más feliz. Con estas palabras, se dan por iniciadas las intervenciones en esta importantísima conferencia sobre la crisis financiera y económica mundial. Al contextualizar la problemática, he querido enfatizar que, para poder aprovechar las oportunidades que la actual crisis nos presenta, tendremos que deponer actitudes egoístas. Estas, en verdad, solo buscan preservar un sistema que, supuestamente, beneficia a una minoría y claramente tiene nefastas consecuencias para la inmensa mayoría de los habitantes del planeta. Tenemos todos que revestirnos de SOLIDARIDAD y de COOPERACIÓN para poder dar un salto cualitativo hacia un futuro de paz y bienestar.
Muchas gracias.

sábado, 4 de julho de 2009

Nota sobre o Relatório da Conferência da ONU sobre a Crise (*)

O professor Ladislau Dowbor analisa o relatório final da conferência promovida pela ONU para debater a crise econômica mundial: "visão sistêmica, articulação das dimensões econômica, social e ambiental, prioridade à geração de empregos, visão de longo prazo, menos dependência do mercado, reforço do Estado. São grandes eixos, e seria difícil pedir demais de uma instituição multilateral onde cada documento deve recolher uma amplíssima gama de apoios. Mas a visão ajuda a deslocar as dimensões estreitas dos que vêm na crise apenas um problema de regulação financeira".

Data: 01/07/2009

La Crisis representa "una importante oportunidad de efectuar cambios significativos(...). En adelante, nuestra respuesta debe centrarse en la creación de empleo, el aumento de la prosperidad, el mejoramiento del acceso a la salud y a la educación, la corrección de los desequilibrios, la formulación y utilización de vías de desarrollo sostenibles desde los puntos de vista ecológico y social y la adopción de una clara perspectiva de género. Nuestra respuesta también debe reforzar las bases de una globalización justa, inclusiva y sostenible, apoyada en un multilateralismo renovado."(10)

A nota acima, extraída do Relatório, dá uma idéia da ampla visão de resposta à crise, muito além da dimensão financeira. A amplitude da visão fragiliza, por outro lado, a praticidade das medidas. De toda forma, pelo peso da instituição, é importante ter uma idéia geral do documento, mesmo que seja provisório e comedido. Como o documento, com 16 p., é bastante curto, e disponível no link abaixo, apontamos aqui apenas alguns pontos que nos pareceram mais relevantes.

O relatório afirma a gravidade da crise: "El mundo se enfrenta a la peor crisis financiera y económica que se há registrado desde la Gran Depresión." Busca também resgatar o papel das Nações Unidas no processos: "Las Naciones Unidas, dadas su composición y legitimidad universales, están bien posicionadas para participar en los diversos procesos de reforma encaminados a mejorar y fortalecer el eficaz funcionamiento de la arquitectura y el sistema financieros internacionales."(2)

Ponto importante, articula a crise financeira com o conjunto de ameaças que temos no horizonte:

"Esta crisis está vinculada a múltiples crisis y problemas globales interrelacionados, como el aumento de la inseguridad alimentaria, la volatilidad de los precios de la energía y los productos básicos y el cambio climático, así como la falta de resultados que ha habido, hasta ahora, en las negociaciones comerciales multilaterales y la pérdida de confianza en el sistema económico internacional." (7)

Ou seja, aponta para a dimensão sistêmica da crise, com impacto tanto econômico (queda de 2,6% do PIB mundial projetada para 2009) como social (fome e subnutrição deverão atingir mais de um bilhão de pessoas).

Os impactos da crise estão bem resumidos:(8)

"En todo el planeta la crisis ha tenido efectos graves y de amplio alcance, pero diferenciados, o los ha agudizado. Desde que comenzó, numerosos Estados han informado de sus efectos negativos, que varían según el país, la región y el nivel de de desarrollo y de gravedad, y que abarcan, entre otros, los siguientes:

• Incremento rápido del desempleo, la pobreza y el hambre
• Desaceleración del crecimiento, contracción económica
• Efectos negativos en las balanzas comerciales y la balanza de pagos
• Disminución de los niveles de inversión extranjera directa
• Fluctuaciones amplias e inestables de los tipos de cambio
• Aumento de los déficits presupuestarios, caída de las recaudaciones fiscales y reducción del margen fiscal
• Contracción del comercio mundial
• Mayor volatilidad y caída de los precios de los productos básicos
• Disminución de las remesas a los países en desarrollo
• Reducción brusca de los ingresos del turismo
• Inversión generalizada de las corrientes de capital privado
• Menor acceso a los créditos y a la financiación del comercio
• Menor confianza del público en las instituciones financieras
• Reducción de la capacidad de mantener redes de seguridad social y prestar otros servicios sociales, como los de salud y educación
• Incremento de la mortalidad infantil y materna
• Derrumbe de los mercados inmobiliarios.


A lista de medidas a serem tomadas, qualificadas de "decisivas e imediatas", é extremamente geral: (11)

"Nos comprometemos a colaborar de manera solidaria para dar una respuesta mundial coordinada y amplia a la crisis y a adoptar medidas encaminadas, entre otras cosas, a:

• Restablecer la confianza, reactivar el crecimiento económico y crear empleo pleno y productivo y trabajo decente para todos
• Salvaguardar los beneficios económicos, sociales y de desarrollo
• Prestar apoyo suficiente a los países en desarrollo para que puedan afrontar los efectos humanos y sociales de la crisis a fin de preservar y consolidar los beneficios económicos y de desarrollo que tanto les ha costado conseguir, incluidos los progresos alcanzados en el logro de los Objetivos de Desarrollo del Milenio
• Asegurar la sostenibilidad de la deuda de los países en desarrollo a largo plazo
• Tratar de proporcionar a los países en desarrollo suficientes recursos para el desarrollo sin imponer condiciones injustificadas
• Reconstruir la confianza en el sector financiero y restablecer el crédito
• Promover y revitalizar un comercio y una inversión abiertos y rechazar el
proteccionismo
• Fomentar una recuperación inclusiva, ecológica y sostenible y seguir
prestando apoyo a los esfuerzos que despliegan los países en desarrollo para lograr el desarrollo sostenible
• Reforzar la función del sistema de las Naciones Unidas para el desarrollo en la respuesta a la crisis económica y sus efectos en el desarrollo
• Reformar y reforzar el sistema y la estructura financieros y económicos
internacionales, según corresponda, para adaptarlos a los desafíos actuales
• Promover la buena gobernanza a todos los niveles, incluso en las instituciones financieras y los mercados financieros internacionales
• Afrontar los efectos humanos y sociales de la crisis.


Em termos da regulação, o documento aponta para a gravidade do "excesso de confiança nos mecanismos de autoregulação do mercado", e para a necessidade de se resgatar o papel do Estado, afirmando "la necesidad de una intervención más efectiva por parte del Gobierno para lograr un equilibrio apropiado entre el interés del mercado y el interés público."(9).

"Estamos todos juntos nesta crise", afirma o relatório, o que tem uma certa dimensão irônica, pois na fase dos ganhos financeiros evidentemente não estávamos. Mas de toda maneira, é real a visão global do processo: "La crisis actual ha revelado cuán integradas están nuestras economías, cuán indivisible es nuestro bienestar colectivo y lo insostenible que resulta centrarse de forma prioritaria en los beneficios a corto plazo."(42)

Portanto, visão sistêmica, articulação das dimensões econômica, social e ambiental, prioridade à geração de empregos ("job-intensive recovery from the crisis"), visão de longo prazo, menos dependência do mercado, reforço do Estado. São grandes eixos, e seria difícil pedir demais de uma instituição multilateral onde cada documento deve recolher uma amplíssima gama de apoios. Mas a visão ajuda a deslocar as dimensões estreitas dos que vêm na crise apenas um problema de regulação financeira.

(*) Conferencia sobre la crisis financiera y económica mundial y sus efectos en el desarrollo Distr. General 22 de junio de 2009 – Os números entre parêntesis no nosso texto representam o parágrafo do Relatório. O Relatório, provisório, está disponível em espanhol em:

http://http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=A/CONF.214/3&referer=http://www.un.org/ga/econcrisissummit/&Lang=S

Para o original em inglês, ver em:
http://http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=A/CONF.214/3&referer=http://www.un.org/ga/econcrisissummit/&Lang=E


Ladislau Dowbor – http://dowbor.org

http://http://criseoportunidade.wordpress.com

Conferência da ONU sobre a crise: qual o balanço?

Os estudos preparatórios da conferência sobre a crise, promovida pela ONU, apresentam dimensões nunca vistas desde a Grande Depressão. O estudo da FAO identificou que o número de pessoas atingidas pela fome ultrapassou a marca de 1 bilhão e a Organização Internacional do Trabalho estimou que 200 milhões de trabalhadores poderão passar a uma situação de indigência e o aumento do número de desempregados pode chegar a 50 milhões este ano. A conferência deveria ser um marco na história da ONU, mas o projeto de documento final apresentou uma posição muito difusa. O artigo é de Douglas Estevam.

Data: 02/07/2009

"Não é humano nem responsável construir uma Arca de Noé que salve somente o sistema econômico imperante deixando a grande maioria da humanidade a sua propria sorte, sofrendo as nefastas consequências de um sistema imposto por uma irresponsável, ainda que poderosa, minoria."

A imagem foi evocada pelo padre nicaraguense Miguel d'Escoto, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, no seu discurso de abertura da Conferência sobre a crise econômica e financeira mundial, realizada na sede da Nações Unidas no mês de junho, entre os dias 24 e 26. Um mundo destruído pelas forças da natureza não foi uma imagem utilizada em vão. Estima-se que a mudança climática pode resultar na eliminação de 30% das espécies vivas do planeta e produzir, na segunda metada do século, uma população de até 200 milhões de refugiados climáticos.

Escoto, que não nega a influência da Teologia da Libertação, sabe que a "mão invisível" que gerou a tormenta é indissociável da ação dos homens. Para reconstituir os capitais dos bancos, nacionalizar alguns estabelecimentos financeiros e garantir depósitos bancários e outros ativos financeiros, em sete meses foram utilizados 18 trilhões de dólares dos fundos públicos. Os estudos preparatórios da Conferência, apontando as primeiras consequências da crise, apresentam dimensões nunca vistas desde a grande Depressão. O estudo da FAO identificava que o número de pessoas atingidas pela fome ultrapassou a marca de 1 bilhão e a Organização Internacional do Trabalho – OIT estima que 200 milhões de trabalhadores poderão passar a uma situação de indigência e o aumento do número de desempregado pode chegar a 50 milhões este ano.

Esta Conferência seria um marco na história da ONU. A compreensão que norteava a ação de alguns dos seus membros mais combativos era de que esta seria uma ocasião para o mundo inteiro se posicionar, principalmente os países mais pobres, que não tiveram o direito de intervir nas decisões adotadas pelo G20. Escoto entendia que "nós temos a ocasião histórica e a responsabilidade coletiva de dar à ordem financeira e econômica do mundo uma nova estabilidade e uma durabilidade inédita". Sabendo do impacto maior que a crise provocará nos países mais pobres, os países do sul, ele entende que "esta evolução, que começaria a sondar a fratura entre Norte e Sul, exige a participação de todas as nações do mundo. Trata-se aqui de uma reunião do G-192 », em referência ao numero de países que compõem a Assembleia que poderiam influir, com uma representatividade sem paralelos entre as organizações internacionais, na elaboração de respostas à crise.

Comissão Stiglitz
A organização da Conferência foi iniciada em novembro do ano passado, quando a crise econômica começava a apresentar suas primeiras consequências. Os Estados membros da ONU solicitaram ao presidente da Assembléia que se encarregasse dos preparativos de sua organização. Uma das primeiras medidas adotadas pelo presidente Escoto foi a formação de uma Comissão de Experts, composta de 18 membros, entre economistas, ministros e políticos, cuja presidência foi atribuída ao economista Joseph Stiglitz.

Este grupo foi o responsável pela preparação de um primeiro conjunto de propostas apresentadas aos membros da Assembléia e que "deveria refletir sobre o funcionamento dos sistemas financeiros mundiais e aos meios de instaurar uma ordem econômica mais durável e mais justa". O documento intitulado "Recomendações da Comissão de Experts" analisa a amplitude da crise que "de uma punhado de países se propagou para o conjunto da economia mundial". Uma crise cujos problemas vão além das políticas monetárias e da regulação do setor financeiro, e se encontram na influência das "políticas que certas autoridades e instituições internacionais tiravam de doutrinas econômicas que estavam na moda, segundo as quais os mercados agindo soberanamente são por eles mesmo eficientes e autocorretores".

A Comissão formulou um conjunto de propostas para aplicação imediata e medidas para "resolver os problemas estruturais". Entre a dezena de medidas imediatas encontra-se o financiamento suplementar para os países em desenvolvimento - de acordo com o Relatório do Secretariado Geral da ONU, os investimentos de capitais privados nos países em desenvolvimento tiveram um queda de mais 50% em 2008 e uma baixa de mesma proporção é esperada para este ano. Medidas para evitar o protecionismo, abrir o mercado dos países desenvolvidos para as exportações dos paises menos desenvolvidos são também propostas. As análises mostram um redução média anual de 40% do comércio mundial registrado no primeiro trimestre deste ano, e a previsao de que o ano termine com uma redução de 11%. Outras propostas incluem a coordenação dos efeitos locais e mundiais das ajudas públicas ao setor financeiro e a criação de um grupo para coordenação de políticas econômicas em nivel mundial, que poderia contar mesmo com a participação de movimentos sociais.

O programa de reformas sistêmicas incluiria a criação de um novo sistema internacional de reservas. Reconhecendo que medidas adotadas por instituições econômicas internacionais nas crises precedentes foi uma das causas dos desequilíbrios mundiais, os riscos do "sistema atual consistindo em acumular reservas internacionais" são uma limitação à uma reorganização eficaz da economia. O documento prossegue analisando que "as dificuldades que engendra a utilização dominante de uma moeda nacional única como moeda internacional de reserva são bem conhecidas e nós tentamos resolver este problema criando um sistema mundial de reservas" que se basearia numa tiragem anual de 250 bilhões de dólares em Direitos de Tiragem Especial do FMI.

Outras medidas de mudanças sistêmicas são a reforma da governança das instituições financeiras internacionais, principalmente do Banco Mundial e do FMI, a criação de um Conselho mundial de coordenação econômica, a reforma de políticas dos bancos centrais, um conjunto de políticas relativas aos mercados financeiros, chegando mesmo a abordar problemas das dívidas dos países em desenvolvimento e cogitando moratórias ou anulação da dívida.

A limitação do ambiental
Entre os membros que compunham a Comissão de Experts se encontravam três Representantes Especiais do Presidente da Assembleia. François Houtart foi nomeado pelo presidente da Assembléia com o ojetivo de que, nas suas proprias palavras, ele "pudesse orientar uma discussão sobre os impactos sociais mais largos da crise atual". Escoto tinha em mente a intervenção feita por Houtart na ONU e esperava deste "lembrar as ligações entre as diversas crises, mas sobretudo de insistir sobre os efeitos sociais e humanos das situações criadas por um sistema cuja lógica conduziu as crises". Houtart tentou todo o tempo lembrar à Comissão a interligação entre a crise financeria a alimentar, classificadas por ele de conjunturais com vocação estrutural, e as crises energética e climática, estas duas como estruturais. Ele enfatizou que a crise dos preços dos alimentos não teve como sua causa principal a redução da produção, mas as manobras especulativas e a produção de agrocombustíveis. Os estudos da FAO estimavam em 115 milhões o número de pessoas adicionais atingidas pela alta do preço dos alimentos em 2008. Além dos 1,02 bilhões de pessoas afetadas pela fome, outros 2 bilhões, segundo dados anteriores à crise, encontravam-se em situação de carência alimentar. Os preços dos alimentos continuam em alta, principalmente o arroz, milho e trigo, e estima-se novas altas para os próximos anos. O relatório apontou ainda entre os fatores estruturais do problema a produção de agrocombustíveis e as mudanças climáticas, estimando que os preços dos alimentos serão mais altos nos próximos dez anos.

Houtart identifica nos trabalhos de preparação da Comissao a "lógica de uma orientação neo-keynesiana destinada a relançar a atividade econômica através de intervenções públicas". Sem desqualificar a utilidade destas proposições, ele tenta ir além: "a questão de fundo não é fazer uma lista de regulações possíveis, mas de se perguntar por que regular?". Esta questão coloca o problema da "finalidade da economia e de sua orientação". "Vamos reorganizar os sistemas monetários e financeiros para salvar a indústria automobilística fabricante de veículos poluentes? Vamos financiar monoculturas destinadas à agroenergia e destruidoras dos solos, da água, da biodiversidade e expulsando milhões de camponeses de suas terras?". Mesmo com seu árduo trabalho de argumentação, estas proposições acabaram tendo uma importância reduzida no documento final da Comissão.

Nações Unidas?
Em coletiva de imprensa realizada na véspera da abertura da Conferência, Escoto afirmava que "as lutas pela democracia e pela emacipação nunca foram fáceis ». Os documentos publicados pelos serviços de informação da ONU faziam menção à uma "grande decepção" dos paises do G77, presidido atualmente pelo Sudão, em relação ao documento final apresentado. Estas "especulaçoes" não eram completamente infundadas.

As reuniões anteriores de formulação do Projeto de documento final e a organização mesmo da Conferência foram marcadas por acirradas oposições entres os países do sul e o países desenvolvidos. Além das Recomendações da Comissão Stigltz, foram elaborados dois documentos facilitadores, sendo o grupo dos países ricos representado por Frank Majoor, dos Países Baixos, e Camillo Gonsalves, de Saint-Vicent-et-les Grenadines o representante dos países em desenvolvimento. Estas proposições foram complementadas por um documento do próprio presidente da Assembléia, que "foi acolhido friamente pela União Européia e pelos EUA ». Representantes dos países mais ricos diziam que as proposições apresentadas pelos países mais pobres eram "muito emocionais" e que a crise teria consequências importantes nos países ricos. Os países mais pobres apresentavam medidas de mudanças mais estruturais. Houve uma forte articulação dos países membros do G20 para que a Conferência não tivesse a presença de chefes de Estado, desqualificando a importância do acontecimento, tendo certos países da União Européia classificado a Conferência de "piada, tragédia e perda de tempo".

Miguel d'Escoto, que chegou a ser taxado de esquerdista, na V Conferência da ALBA realizada em abril na Venezuela, declarou que as Nações Unidas são uma ditadura e reafirmou que um de seus objetivos era democratizar a organização. Ele tentava garantir a presença dos presidentes na Conferência em oposição às articulações do G20. De fato, o Projeto de Documento Final da Conferência apresenta uma posição muito mais difusa quando comparadas com os primeiros estudos. As proposições de reforma do sistema monetário feitas por alguns países, que foram classificadas no documento como "barulhentas", seriam submetidas a um exame para avaliar até que ponto elas são mais eficazes e "desejáveis". Também de uma maneira vaga, as reformas do sistema de representação do Banco Mundial e FMI são mencionadas, avaliando positivamente as medidas destas instituições e solicitando reforço do orçamento do FMI. Os representantes de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Irã estimaram o texto insuficiente, que não abordaria de maneira apropriada as causas e soluções para a crise financeira e econômica. Eles também rejeitaram a idéia de "segurança humana" contida no texto, estimando que isso possa permitir a ingerência na soberania dos Estados e pediram o fim da hegemonia monetária do dólar. O presidente Rafael Correa reafirmou a posição de que fundos de reserva regionais e outras medidas coletivas deveriam ser priorizadas em relação às políticas do FMI.

Um conjunto de organizações sociais que vinham trabalhando na Europa em torno da crise prepararam um encontro com François Houtart na França para analisar o avanço dos trabalhos da Comissão Stiglitz, da Conferência e a elaboração de estratégias de ação. Notando limitações nas proposições da Comissão, a deslegitimação a qual seria submetida a Conferência em razão do lobby político realizado pelos países mais poderosos, sobretudo EUA e União Européia, e pela posição que alguns países emergentes vinham adotando durante todo o processo de preparação da Conferência, a avaliação desenvolvida pelas organizações é que resoluções importantes na tranformação do sistema não seriam adotadas pela ONU. Soma-se a isto o fato de que o conjunto das crises, e principalmente a centralidade da crise ambiental, teria uma importância reduzida. O entendimento destas organizações é que a Conferência sobre as Mudanças Climáticas da ONU, que será realizada em dezembro na cidade de Copenhague, será a ocasião mais importante para fazer uma análise profunda e estrutural do conjunto das crises e a elaboração de proposições efetivas englobando uma mudança da estrutura econômica na qual a questão ambiental assuma sua devida importância.

Contudo, a expectativa em relação a esta Conferência da ONU, é que ela se estabeleça com uma continuidade e que não se reduza à esta presidência de Escoto, que se encerra em setembro, mas que ela continue com o proximo presidente. Em um dos encontros da Comissão, Houtart dizia pensar que "o diálogo com os meios de negócios e os organismos financeiros internacionais é inutil. É preciso inicialmente estabelecer uma relação de forças suficiente, se não o diálogo se torna somente uma arma a mais na luta de classes. O diálogo só é possível entre interlocutores iguais e hoje as condições não estão reunidas." Miguel d'Escoto insiste em que a Conferência não deve ser interpretada como um fim em si, mas como um processo, e "o que foi rejeitado hoje pode ser agregado amanhã".